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Hoje é Sexta-feira, 17 de Abril de 2026.
Uma brasileira de 67 anos, diagnosticada com uma doença neurodegenerativa incurável, decidiu encerrar a própria vida por meio de suicídio assistido na Suíça, país que permite o procedimento para estrangeiros. A decisão foi tomada após meses de reflexão, diante da progressiva perda de autonomia causada pela doença.
Célia Maria Cassiano morreu na quarta-feira (15), após ingerir, por conta própria, uma substância prescrita por um médico. Segundo relatos, o processo ocorreu de forma rápida e sem dor. Após a morte, as autoridades suíças seguiram o protocolo padrão, verificando a documentação e confirmando que houve consentimento livre antes de autorizar os trâmites legais.
A doença, que afeta o segundo neurônio motor, compromete os movimentos e a fala, mantendo a consciência preservada. Nos últimos meses, Célia relatou depender de ajuda constante para atividades básicas, como ir ao banheiro. Em vídeos publicados nas redes sociais, afirmou que não queria viver totalmente dependente ou ligada a aparelhos.
No Brasil, tanto o suicídio assistido quanto a eutanásia são proibidos por lei. A ausência de regulamentação impede que pacientes tenham acesso a esse tipo de decisão de forma legal no país, o que leva pessoas a buscarem alternativas no exterior.
A Suíça é atualmente o único destino que aceita estrangeiros nesse modelo. O processo envolve uma série de exigências médicas e legais, incluindo avaliações independentes, além de custos que giram em torno de R$ 65 mil, sem contar despesas com viagem e hospedagem.
Antes do procedimento, Célia permaneceu no país por alguns dias, período em que passou por avaliações e também aproveitou para realizar passeios e visitas a pontos turísticos. Segundo ela, a tranquilidade vinha da certeza de não enfrentar uma fase avançada de dependência física.
O caso reacende o debate sobre o direito à morte assistida. Enquanto o Brasil mantém a proibição, países da América Latina começam a avançar em legislações relacionadas ao tema, como o Uruguai, que recentemente regulamentou a eutanásia sob critérios específicos.
Em sua despedida, Célia deixou uma mensagem defendendo a autonomia individual na decisão sobre o fim da vida. Para ela, a escolha não deve ser uma obrigação, mas um direito de quem enfrenta condições irreversíveis. Com informações: g1.
