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Febre do Oropouche pode já ter atingido 2% dos brasileiros, aponta estudo sobre subnotificação

Pesquisa indica que número real de infecções pode ser até 200 vezes maior que os casos registrados oficialmente.
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Estudo aponta avanço da Febre do Oropouche e alerta para subnotificação no Brasil (Foto: Bruna Lais Sena do Nascimento/Laboratório de Entomologia Médica/SEARB/IEC) Por: Editorial | 24/03/2026 13:22

Um estudo divulgado nesta terça-feira (24) revela que a Febre do Oropouche pode estar amplamente subnotificada no Brasil. Segundo os pesquisadores, o número real de infecções pode ser até 200 vezes superior aos registros oficiais, o que indicaria que cerca de 2% da população brasileira já teve contato com o vírus.

Os dados mostram que, entre 1960 e 2025, aproximadamente 9,4 milhões de pessoas foram infectadas na América Latina e no Caribe, sendo pelo menos 5,5 milhões no Brasil. A doença é transmitida principalmente pela picada do mosquito Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim ou mosquito-pólvora na Região Norte.

A pesquisa foi conduzida por um consórcio que reúne instituições como a University of Kentucky, a Universidade de São Paulo, a Universidade Estadual de Campinas e a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas. Os resultados indicam que a doença, antes associada principalmente a áreas silvestres, tem apresentado crescimento também em ambientes urbanos.

De acordo com o especialista Vanderson Sampaio, o avanço da doença preocupa, especialmente porque grande parte da população ainda não teve contato com o vírus. Isso aumenta o potencial de disseminação, principalmente em regiões com condições favoráveis ao vetor.

A análise incluiu exames sorológicos realizados em diferentes períodos entre 2023 e 2024, permitindo identificar a presença de anticorpos na população. Em Manaus, por exemplo, o alcance do surto chegou a cerca de 12,5% da população, com índices próximos de 15% em todo o estado.

O estudo também revisou 32 surtos registrados desde 1955 em países como Brasil, Peru, Guiana Francesa e Panamá, sendo 19 deles em território brasileiro. A capital amazonense é apontada como um dos principais polos de disseminação, devido à sua densidade populacional e conexões com outras regiões, o que contribuiu para a expansão da doença para estados como Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Entre os fatores que explicam a subnotificação estão o acesso limitado aos serviços de saúde em áreas da Amazônia e o grande número de casos leves ou assintomáticos, que acabam não sendo diagnosticados. Além disso, os sintomas da doença são semelhantes aos de outras arboviroses, como a Dengue, dificultando a identificação correta.

Apesar de, na maioria dos casos, apresentar quadro febril leve, a infecção pode evoluir para complicações mais graves, incluindo problemas neurológicos, complicações materno-fetais e até morte.

Atualmente, não existem vacinas ou antivirais específicos para a febre do Oropouche, embora estudos estejam em andamento para avaliar possíveis tratamentos. Pesquisadores também destacam que estratégias tradicionais de controle, voltadas a mosquitos urbanos como o Aedes aegypti, não são suficientes para conter a doença, já que o principal vetor está associado a áreas rurais e florestais.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de ampliar a vigilância epidemiológica, investir em diagnóstico e monitorar áreas de risco, especialmente regiões próximas a ambientes naturais degradados. Com informações: Dourados News




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