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Hoje é Terça-feira, 24 de Março de 2026.
Uma pesquisa publicada na revista científica JAMA revela que sete em cada dez adolescentes dormem menos do que o recomendado, acendendo um alerta sobre os impactos da privação de sono na saúde física e mental dos jovens. O problema está associado a dificuldades de aprendizagem, alterações de humor e até aumento do risco de obesidade.
De acordo com o pediatra especialista em sono Gustavo Moreira, o cenário é resultado de uma combinação de fatores biológicos e comportamentais. Durante a adolescência, há uma mudança natural no ritmo biológico, fazendo com que os jovens sintam sono mais tarde. No entanto, compromissos como a escola no período da manhã impedem que esse ciclo seja respeitado, gerando um déficit contínuo de descanso.
Além disso, a exposição às telas no período noturno interfere diretamente na produção de melatonina, hormônio responsável por induzir o sono. O uso de celulares, apontado como o principal vilão, mantém o cérebro em estado de alerta, dificultando o relaxamento necessário para dormir.
A falta de sono provoca um efeito em cadeia no organismo. Durante o descanso, o corpo realiza funções essenciais, como a reparação celular, a produção de hormônios e a consolidação da memória. Na adolescência, fase crucial de desenvolvimento, dormir mal pode intensificar a instabilidade emocional e aumentar o risco de transtornos como depressão e transtorno bipolar.
Outro impacto relevante está relacionado ao controle do apetite. O desequilíbrio entre os hormônios grelina, que estimula a fome, e leptina, que promove a saciedade, favorece o aumento da ingestão alimentar e, consequentemente, o ganho de peso.
Especialistas recomendam que adolescentes durmam, em média, cerca de nove horas por noite, podendo variar entre oito e dez horas. Dormir menos do que isso compromete principalmente a fase REM do sono, fundamental para o aprendizado e a memória.
Entre os hábitos prejudiciais mais comuns estão o uso de telas antes de dormir, consumo de cafeína à noite, falta de rotina e atividades estimulantes no período noturno. Um fenômeno frequente é o chamado “jet lag social”, quando o jovem dorme pouco durante a semana e tenta compensar nos fins de semana, desregulando ainda mais o relógio biológico.
Para melhorar a qualidade do sono, medidas simples podem ser adotadas, como manter horários regulares para dormir e acordar, evitar o uso de celulares antes de deitar, tomar sol pela manhã e criar um ambiente tranquilo no quarto.
O papel da família também é considerado essencial. Estabelecer limites, como retirar o celular do quarto durante a noite, e dar o exemplo são atitudes que contribuem para a construção de uma rotina mais saudável.
Casos persistentes de dificuldade para dormir devem ser avaliados por um profissional de saúde, já que podem estar relacionados a distúrbios como insônia ou apneia do sono, que exigem acompanhamento adequado. Com informações: g1
