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Hoje é Terça-feira, 10 de Março de 2026.
O artesanato brasileiro tem ganhado destaque como importante ativo cultural e econômico, impulsionado pelo reconhecimento de produtos por meio das Indicações Geográficas (IGs). Atualmente, o país possui 20 registros desse tipo voltados ao artesanato, abrangendo 263 municípios distribuídos por 12 estados das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.
A certificação é concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e funciona como um selo coletivo que associa o produto ao território de origem, às matérias-primas locais e às técnicas tradicionais de produção. A maior concentração desses registros está no Nordeste, que reúne 13 das IGs já reconhecidas, evidenciando a força do saber-fazer regional como motor de desenvolvimento econômico e cultural.
O movimento de reconhecimento continua em expansão. A mais recente Indicação Geográfica foi concedida ao artesanato em argila de Taubaté, enquanto outras propostas seguem em análise, como a cerâmica produzida no município de Rosário. Além disso, há pelo menos 13 potenciais projetos em fase de estruturação com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Segundo especialistas do setor, o reconhecimento por IG fortalece a governança local, amplia oportunidades comerciais e incentiva atividades complementares, como o turismo cultural. Também oferece maior segurança jurídica e ajuda a diferenciar produtos artesanais autênticos de reproduções industriais.
Estudos acompanhados pelo Sebrae indicam que, após a certificação, muitos produtos passam a alcançar novos mercados e registrar aumento de rentabilidade que pode variar entre 30% e 100%, dependendo do segmento e da organização dos produtores. Em alguns casos, peças com selo de origem chegam a ser vendidas por valores até duas vezes superiores aos produtos similares sem certificação.
Entre os exemplos de destaque está o Bordado Filé produzido na região das lagoas Mundaú e Manguaba, em Maceió, que ganhou reconhecimento e ampliou o alcance comercial após a certificação. Outro caso é o da Renda Irlandesa de Divina Pastora, considerada também patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Além da valorização econômica, as Indicações Geográficas desempenham papel estratégico na proteção da propriedade intelectual e na preservação das tradições culturais, transformando o conhecimento artesanal em um patrimônio protegido e valorizado.
O setor também se prepara para a realização da sexta edição do Prêmio Sebrae TOP 100 do Artesanato Brasileiro, que será lançado no dia 24 de março no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro, no Rio de Janeiro. A premiação reconhece iniciativas que se destacam em inovação, competitividade e excelência no artesanato nacional. Com informações: Agência Sebrae
