|
Hoje é Terça-feira, 10 de Março de 2026.
Pouco mais de uma semana após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, o preço do petróleo no mercado internacional ultrapassou a marca de US$ 100 por barril, acelerando mais do que alguns analistas previam. A expectativa é de que os consumidores brasileiros sintam em breve os efeitos dessa escalada.
Segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), considerando um barril a US$ 108 e o dólar a R$ 5,39, haveria espaço para a Petrobras reajustar a gasolina em até R$ 1,22 por litro e o diesel em R$ 2,74 por litro. Atualmente, a gasolina está sendo vendida a R$ 3,18 por litro, e o diesel a R$ 4,02, valores abaixo do mercado internacional, com defasagem estimada de 40% e 85%, respectivamente.
Especialistas afirmam que, apesar da pressão internacional, o governo evita repasses imediatos para controlar a inflação e preservar popularidade, principalmente em ano eleitoral. Roberto Padovani, economista do banco BV, indica que ajustes escalonados são mais prováveis, com atenção especial ao diesel para evitar desabastecimento.
A Petrobras reforçou que busca mitigar os efeitos da volatilidade global e promover estabilidade nos preços internos, utilizando estratégias de refino e logística para proteger clientes de oscilações abruptas.
Embora a Agência Nacional do Petróleo (ANP) não identifique restrições ao abastecimento, a Abicom alertou que importadores privados suspenderam compras diante da alta internacional, criando potencial diferença de preços entre o mercado privado e o mercado da Petrobras. Distribuidoras também tentam adquirir volumes adicionais de diesel para preservar margens, mas, segundo fontes, a estatal tem mantido cotas contratuais.
O cenário desenha um mercado doméstico com valores distintos: um alinhado aos preços internacionais, praticado por refinarias privadas, e outro controlado pela Petrobras, com subsídios que retardam o repasse integral da alta. Com informações: IstoÉDinheiro
