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Hoje é Sábado, 07 de Março de 2026.
A presença feminina em posições de liderança no setor de inovação tem avançado em áreas estratégicas do ecossistema empreendedor brasileiro. Dados do Observatório Sebrae Startups indicam que mulheres lideram 43% das deep techs apoiadas pelo programa Catalisa ICT, iniciativa do Sebrae voltada à transformação de conhecimento científico em soluções de mercado. O percentual se mantém até as etapas finais do programa.
Outro segmento que apresenta destaque é o das startups de impacto socioambiental, nas quais a participação feminina chega a 21%. Apesar do avanço nesses nichos, a presença das mulheres no cenário geral das startups ainda é limitada. Segundo dados atualizados em fevereiro de 2026, elas representam 18% dos negócios cadastrados na Plataforma Sebrae Startups, o equivalente a 4.282 empresas com participação feminina no quadro societário.
O índice é semelhante ao levantamento realizado pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups), que apontou, em 2024, cerca de 19% de fundadoras mulheres no país.
Para a analista da Unidade de Inovação do Sebrae Nacional, Fernanda Zambon, os números indicam que o crescimento da liderança feminina no setor depende de iniciativas estruturadas de apoio. De acordo com ela, quando há programas de capacitação, mentorias e conexões com o mercado, a participação das mulheres tende a aumentar e se consolidar.
A especialista destaca, entretanto, que o principal desafio ainda está na permanência e no crescimento dessas empresas. Segundo Zambon, é necessário ampliar o acesso ao capital, fortalecer redes estratégicas e criar condições para que as empreendedoras consigam escalar seus negócios.
Outro dado apontado pelo levantamento revela que 61% das startups lideradas por mulheres ainda estão em fases iniciais de desenvolvimento, como ideação e validação. Embora esse perfil seja semelhante ao observado no ecossistema como um todo, a transição para estágios de tração e expansão costuma ser mais desafiadora, especialmente diante de barreiras históricas de acesso a investimentos e de um ambiente econômico mais restritivo.
Para o Sebrae, ampliar a participação feminina na inovação também representa uma estratégia de desenvolvimento econômico. Segundo a instituição, startups com diversidade de gênero tendem a apresentar melhores indicadores de governança e desempenho no longo prazo.
Na prática, esse movimento já se reflete em empresas que buscam soluções inovadoras com impacto social. Um exemplo é a startup T-Access, sediada em Recife, que desenvolve ferramentas voltadas à avaliação e melhoria da acessibilidade digital. A iniciativa surgiu após a identificação de dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência visual ao utilizar plataformas e softwares.
A fundadora da empresa, Tarciana Katter, afirma que a liderança feminina pode contribuir para uma abordagem mais ampla na gestão de negócios inovadores. Segundo ela, a capacidade de escuta e a atenção ao impacto social são elementos importantes na construção de soluções sustentáveis.
Outro caso é o da startup Compensei, uma climate tech sediada em São Luís, no Maranhão. A empresa criou uma plataforma digital destinada à medição, monitoramento, redução e compensação de emissões de carbono, seguindo padrões internacionais como o GHG Protocol e a ABNT PR 2060.
A fundadora Vilena Silva destaca que a proposta da empresa é tornar a agenda climática acessível também às pequenas empresas. Segundo ela, a sustentabilidade precisa estar presente não apenas nas grandes corporações, mas também nos pequenos negócios que movimentam a economia brasileira. Com informações: Agência Sebrae
