| Hoje é Sexta-feira, 06 de Março de 2026.

De Ribas do Rio Pardo para salvar uma vida: doadora é chamada anos após cadastro no Redome

Cadastro feito na juventude resultou, anos depois, em transplante de medula óssea para paciente brasileiro.
Facebook WhatsApp
Ampliar
Moradora de Ribas do Rio Pardo foi chamada anos após cadastro no Redome e realizou doação de medula óssea para paciente brasileiro (Foto: Divulgação/SES). Por: Editorial | 06/03/2026 14:15

Um gesto realizado ainda na juventude acabou se transformando, anos depois, na oportunidade de salvar uma vida. Aos 31 anos, a engenheira civil e empresária Renata Rodrigues, moradora de Ribas do Rio Pardo, foi convocada para realizar a doação de medula óssea após ser identificada como compatível com um paciente brasileiro que aguardava transplante.

O chamado foi feito pelo Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). O procedimento ocorreu no dia 28 de outubro de 2025. O cadastro de Renata havia sido realizado quando ela tinha 18 anos, durante uma campanha de conscientização promovida no município.

O interesse pela doação começou ainda antes, quando ela participava de campanhas de doação de sangue organizadas por voluntários locais. Assim que atingiu os requisitos necessários, passou a contribuir regularmente.

Segundo Renata, a primeira doação de sangue ocorreu ainda na adolescência. Pouco tempo depois, surgiu a oportunidade de se cadastrar também como possível doadora de medula óssea.

Na época, ela recorda que teve dúvidas sobre o procedimento, mas decidiu autorizar a inclusão de seus dados no banco nacional de doadores. Após o cadastro, seguiu a rotina normalmente, sem imaginar que anos depois seria chamada. Durante todo esse período, manteve telefone e endereço atualizados, o que facilitou o contato.

No ano passado, recebeu uma mensagem informando que havia a possibilidade de compatibilidade com um paciente e que seria necessário realizar novos exames em Campo Grande. A coleta de sangue foi realizada e o resultado definitivo poderia levar até 180 dias.

A confirmação chegou após cerca de 175 dias. Questionada se desejava continuar com o processo de doação, ela aceitou imediatamente. Mãe de duas crianças, Liz, de 7 anos, e Leonardo, que na época tinha um ano e sete meses, precisou reorganizar a rotina familiar para viajar e permanecer alguns dias fora de casa.

Renata foi encaminhada para São Paulo, onde realizou exames complementares e recebeu orientações sobre o procedimento. Os médicos explicaram as duas formas possíveis de doação: por punção na região da bacia ou por meio da aférese, método indicado para o caso dela.

Nesse tipo de procedimento, o doador utiliza medicação por alguns dias para aumentar a quantidade de células-tronco no sangue. Em seguida, o sangue é coletado por uma máquina que separa as células necessárias e devolve o restante ao organismo.

Todo o processo é realizado em centro especializado e custeado pelo Redome, pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) e pelo Ministério da Saúde. A coleta durou aproximadamente seis horas.

Ao todo, Renata permaneceu nove dias em São Paulo. Para ela, o período longe da família foi o momento mais difícil, principalmente por causa dos filhos pequenos. Apesar da saudade, afirma que tinha convicção da importância do gesto.

Após o procedimento, ainda existia a possibilidade de ser necessária uma segunda coleta, caso a quantidade de células não fosse suficiente. Quando recebeu a confirmação de que o material coletado havia atendido às necessidades do paciente, a emoção tomou conta.

Por questões de protocolo e segurança, o doador não recebe informações detalhadas sobre o receptor. Renata sabe apenas que o paciente é brasileiro e espera que o transplante represente um novo começo.

De volta à rotina em Ribas do Rio Pardo, onde também administra uma loja de roupas infantis, ela decidiu compartilhar a experiência para incentivar outras pessoas a se cadastrarem como doadoras.

Para se tornar doador voluntário de medula óssea é necessário ter entre 18 e 35 anos e 9 meses, não apresentar doenças infecciosas ou incapacitantes e realizar o cadastro em uma unidade de coleta de sangue. Caso seja identificada compatibilidade com algum paciente, o Redome entra em contato e todo o procedimento é custeado pelo sistema público de saúde.

Em Mato Grosso do Sul, o cadastro pode ser realizado nas unidades da rede Hemosul em Campo Grande e em cidades do interior. Segundo dados mais recentes do Redome, apenas em 2024 sete moradores do estado efetivaram a doação de medula óssea.

Desde o início do registro nacional, mais de 100 doadores sul-mato-grossenses já foram compatíveis com pacientes e realizaram a doação, tanto para pessoas no Brasil quanto no exterior. Atualmente, o estado possui 197.502 cadastros de doadores voluntários registrados entre 2001 e 2025.

Autoridades da área de saúde reforçam que manter telefone e endereço atualizados no cadastro é fundamental para que o doador possa ser localizado caso surja uma compatibilidade. Com informações: Notícias do Cerrado




PORTAL DO CONESUL
NAVIRAÍ MS
CNPJ: 44.118.036/0001-40
E-MAIL: portaldoconesul@hotmail.com
Siga-nos nas redes sociais: