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Hoje é Segunda-feira, 02 de Março de 2026.
Os preços internacionais do petróleo e do gás natural dispararam nesta segunda-feira, 2, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, após ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã e a retaliação de Teerã. A instabilidade geopolítica pressionou os mercados financeiros globais, levando as principais Bolsas a operarem em queda.
Na abertura dos negócios, o barril do Brent, referência internacional, chegou a avançar quase 14%, enquanto o West Texas Intermediate acumulou alta de aproximadamente 12%. Às 8h15 GMT, o Brent era negociado a 79,95 dólares, com valorização de 9,7%, e o WTI alcançava 73,04 dólares, alta de 9%.
O aumento reflete o temor de interrupções no fornecimento global de energia, especialmente no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. A região também concentra exportações relevantes de gás natural liquefeito, sobretudo do Catar, o que impulsionou o contrato futuro do TTF holandês, referência do gás na Europa, a uma elevação superior a 20%.
O Brent já acumulava valorização ao longo do ano, incorporando o chamado prêmio de risco geopolítico. Antes da nova escalada, havia atingido 72 dólares na sexta-feira, acima dos 61 dólares registrados no início do ano. Em 2026, até o fechamento da última sessão, o Brent somava alta superior a 19%, enquanto o WTI avançava cerca de 17%.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados, Opep+, anunciou no domingo um acréscimo de 206 mil barris por dia na produção a partir de abril. Analistas, no entanto, avaliam que a maior parte dos produtores já opera próxima da capacidade máxima, o que limita a margem para compensar eventuais interrupções prolongadas.
Especialistas não descartam que o barril ultrapasse a marca de 100 dólares caso haja bloqueio duradouro no Estreito de Ormuz ou ataques a instalações petrolíferas estratégicas. A última vez que o petróleo superou esse patamar foi no início da guerra na Ucrânia, cenário que contribuiu para pressões inflacionárias globais.
No mercado acionário, o impacto foi imediato. As Bolsas asiáticas encerraram o pregão majoritariamente em baixa. Tóquio recuou 1,4% e Hong Kong perdeu 2,1%, enquanto Xangai foi exceção, com leve alta de 0,5%. Na Europa, as principais praças abriram em queda: Paris cedia 1,96%, Frankfurt 1,99%, Milão 2,13%, Londres 0,55% e Madri 2,58%.
Os setores mais afetados foram o aéreo e o de turismo, fortemente dependentes do custo do combustível. Companhias como ANA e JAL, no Japão, registraram perdas superiores a 5%. Na Europa, Air France-KLM recuava mais de 7% e Lufthansa apresentava baixa próxima de 6%. Em contrapartida, empresas de energia figuraram entre as maiores altas, com ganhos relevantes de grupos como Shell, BP, Repsol e TotalEnergies.
O ambiente de incerteza também impulsionou ativos considerados porto seguro. O ouro avançou cerca de 2%, enquanto o dólar apresentou valorização frente a outras moedas. Analistas avaliam que, embora o mercado reconheça a gravidade do momento, o cenário ainda é tratado como um choque geopolítico e não, por ora, como uma crise sistêmica global. Com informações: IstoÉDinheiro
