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Hoje é Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026.
O amendoim tem sido frequentemente apontado como alternativa acessível para auxiliar no controle do colesterol, especialmente do LDL, conhecido como colesterol ruim. No entanto, especialistas afirmam que o impacto do alimento sobre os níveis laboratoriais é modesto e depende diretamente da quantidade ingerida, da forma de preparo e do contexto geral da alimentação.
De acordo com a professora da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Alagoas, Monica Assunção, as diretrizes alimentares recomendam a ingestão diária entre 15 g e 30 g, o equivalente a uma ou duas colheres de sopa. O nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, acrescenta que, embora seja possível observar alterações no LDL em exames laboratoriais, a redução média costuma ser pequena, podendo chegar a cerca de quatro miligramas por decilitro, nem sempre com significância estatística.
O amendoim apresenta elevado teor de gorduras, predominantemente insaturadas, além de proteínas, fibras e micronutrientes importantes para a saúde cardiovascular, como vitaminas E, B3 e B9, magnésio, fósforo, potássio, zinco e cobre. Também contém fitosteróis, que auxiliam na redução da absorção intestinal do colesterol, polifenóis com ação antioxidante e arginina, aminoácido associado à vasodilatação. Apesar desses componentes, os especialistas ressaltam que o alimento não atua como medicamento para redução do LDL.
Outro ponto de atenção é o valor calórico. A cada 100 g de amendoim torrado, há aproximadamente 550 quilocalorias. Quando consumido acima das porções recomendadas, pode contribuir para o excesso energético e dificultar o emagrecimento, fator que impacta diretamente o controle do colesterol. Estudos apontam que efeitos mais expressivos sobre o perfil lipídico foram observados com ingestão superior a 60 g por dia, porém tal quantidade eleva consideravelmente a ingestão calórica.
A forma de preparo interfere no efeito metabólico. As versões in natura ou torradas sem sal preservam o perfil de gorduras saudáveis. O amendoim cozido tende a apresentar menor teor de gordura por porção. Já a pasta de amendoim natural, composta por ingrediente único, pode ser opção viável dentro de uma dieta equilibrada. Em contrapartida, produtos salgados, açucarados ou ultraprocessados adicionam sódio, açúcares e gorduras de baixa qualidade nutricional, o que pode anular os benefícios e até agravar o perfil lipídico.
A inclusão do amendoim pode ser estratégica quando substitui alimentos ultraprocessados, como salgadinhos fritos, doces e pães refinados com manteiga. A combinação com fibras solúveis, presentes na aveia e em frutas como o morango, pode contribuir para reduzir a absorção do LDL no intestino. A associação com fontes de ômega 3, como salmão e sardinha, e com vegetais ricos em antioxidantes potencializa o efeito cardioprotetor dentro de um padrão alimentar equilibrado.
Para indivíduos com dislipidemia, obesidade, diabetes ou triglicerídeos elevados, o consumo deve ser cuidadosamente orientado por profissional habilitado. Em hipertensos, recomenda-se a versão sem sal, uma vez que o excesso de sódio pode elevar a pressão arterial e comprometer os benefícios cardiovasculares. Mesmo pacientes em uso de estatinas podem consumir amendoim, desde que inserido em planejamento alimentar adequado, sem substituir o tratamento medicamentoso.
Segundo os especialistas, eventuais alterações nos exames podem surgir em poucas semanas, sendo mais bem avaliadas entre seis e doze semanas de consumo regular e moderado. Ainda assim, o impacto permanece discreto quando comparado a intervenções como perda de peso e uso de medicamentos específicos.
O consenso é que o amendoim não representa solução isolada para o controle do colesterol, mas pode integrar estratégia alimentar mais ampla, desde que consumido com moderação, em versões naturais e dentro de planejamento nutricional individualizado. Com informações: g1
