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Sebrae aponta que nem toda startup nasce para ser unicórnio

Relatório revela que maioria das startups brasileiras está em fase inicial e que crescimento acelerado não é regra no ecossistema.
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Levantamento do Sebrae mostra que maioria das startups brasileiras está em fase inicial e que escalabilidade acelerada é exceção no setor. (Foto: Reprodução/Arquivo) Por: Editorial | 24/02/2026 16:40

O imaginário do ecossistema de inovação costuma associar startups a crescimento exponencial, rodadas sucessivas de investimento e expansão acelerada. No entanto, dados do Sebrae Startups Report Brasil 2025 indicam um cenário mais diverso e menos alinhado à lógica do “cresça ou morra”.

Em dezembro de 2025, o Observatório Sebrae Startups mapeava 22.869 startups ativas no país, número que representa crescimento de 26,7% em relação ao ano anterior. Apesar da expansão quantitativa, a distribuição por estágio de maturidade demonstra que a escalabilidade acelerada é exceção. Segundo o levantamento, 37,7% das startups estão na fase de validação e 25,1% ainda em ideação. Apenas 2,4% alcançaram o estágio de escala.

O estudo reforça que o ecossistema brasileiro é majoritariamente formado por empresas em estruturação, muitas delas focadas na consolidação de produto, mercado e modelo de receita antes de qualquer movimento de expansão acelerada.

Entre os modelos identificados, destacam-se as startups sustentáveis, que priorizam crescimento orgânico, controle societário e geração de caixa. De acordo com o relatório, 56,1% das startups declararam não ter faturamento no momento da pesquisa, evidenciando forte presença de negócios ainda em fase de desenvolvimento. Entre as que faturam, a maioria concentra-se em faixas de receita anual de até R$ 360 mil. O modelo de assinatura, utilizado por 39,1% das empresas, favorece previsibilidade e recorrência, características associadas à sustentabilidade financeira.

Outro perfil recorrente é o das chamadas “small giants”, empresas que optam por relevância em nichos específicos em vez de expansão nacional ou global. Tecnologia da Informação lidera entre os setores, com 14,5% das startups, seguida por Saúde e Bem-Estar, com 11,8%, e Educação, com 8,5%. Além disso, 50,5% operam no modelo B2B, atendendo outras empresas, o que tende a resultar em ciclos de crescimento mais graduais e baseados em carteira de clientes.

O relatório também aponta a consolidação do conceito de “zebras”, em contraposição ao símbolo do unicórnio. Nesse modelo, priorizam-se negócios lucrativos, resilientes e comprometidos com impacto social ou regional. A predominância de software, com 39,3%, e serviços, com 35,8%, indica modelos menos intensivos em capital, favorecendo estratégias de equilíbrio financeiro.

Outro dado relevante é a descentralização geográfica da inovação. Embora o Sudeste concentre 36% das startups, o Nordeste já responde por 25,2% e apresentou o maior crescimento proporcional no período analisado. Estados como Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul registraram avanços expressivos, evidenciando um modelo de inovação cada vez mais distribuído e conectado às vocações regionais.

Os números sugerem que o sucesso no ecossistema brasileiro não se limita à hiperescala. Estabilidade financeira, impacto local, especialização em nichos e geração de valor sustentável configuram trajetórias igualmente legítimas dentro do ambiente de inovação nacional. Com informações: Agência Sebrae




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