|
Hoje é Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026.
Fraldas geriátricas descartáveis passaram a ser confeccionadas com mão de obra prisional em Mato Grosso do Sul por meio do Projeto Desdobrar Cuidado e Dignidade. A iniciativa teve início com a implantação de uma oficina no Instituto Penal de Campo Grande, onde dez internos foram capacitados para atuar na produção.
As primeiras unidades foram entregues ao Sirpha Lar do Idoso e ao Hospital São Julião, instituições que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade. Ao todo, foram confeccionadas 1.760 fraldas, distribuídas em 220 pacotes com oito unidades cada. O material tem caráter experimental e será submetido a testes de uso por um grupo de controle, formado por idosos atendidos no próprio IPCG e por usuários das entidades beneficiadas.
Durante a entrega, o diretor presidente da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário, Rodrigo Rossi Maiorchini, destacou que mais de 7 mil internos atualmente exercem atividades laborais no sistema prisional do estado e mais de 4 mil participam de cursos educacionais, desde a alfabetização até a pós graduação. Segundo ele, o trabalho e a qualificação profissional são instrumentos fundamentais para reduzir a ociosidade e preparar os custodiados para a reinserção social.
O projeto foi idealizado pelo juiz da 4ª Vara Criminal, José Henrique Kaster Franco, com tratativas iniciadas em meados de 2025. A proposta prevê a utilização de mão de obra do regime fechado na produção de fraldas geriátricas, promovendo ressocialização, capacitação profissional e possibilidade futura de remuneração, além de contribuir para suprir demandas sociais.
A iniciativa reúne esforços da Agepen, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e do Sirpha Lar do Idoso, com acompanhamento do município de Campo Grande, cujos procuradores analisam a viabilidade de aquisição de insumos e eventual remuneração dos internos.
O presidente do Sirpha, Ivan Nery de Queiroz, ressaltou a alta demanda diária por fraldas geriátricas. Segundo ele, cada idoso pode utilizar até quatro unidades por dia. Considerando os 83 acolhidos atualmente, o consumo médio chega a aproximadamente 240 fraldas diárias. Os testes priorizarão o uso noturno, período considerado mais adequado para avaliar a capacidade de absorção e a prevenção de vazamentos, fatores essenciais para reduzir trocas frequentes de enxovais e a sobrecarga da lavanderia.
Após o período de avaliação, será elaborado relatório técnico com base em questionários aplicados a usuários e equipes das instituições. O objetivo é realizar eventuais ajustes antes da ampliação da produção, garantindo qualidade, segurança e conforto.
A diretora de Assistência Penitenciária, Maria de Lourdes Delgado Alves, destacou que o projeto beneficia tanto os internos quanto a sociedade, ao assegurar trabalho e dignidade e ao atender pessoas que muitas vezes não têm condições de adquirir itens essenciais. Já a superintendente de Gestão do Hospital São Julião, Jéssica Mendes, afirmou que a iniciativa pode contribuir para reduzir custos assistenciais, já que as fraldas representam um dos principais insumos hospitalares no Sistema Único de Saúde.
A entrega das fraldas marca o início da fase de testes do Projeto Desdobrar e consolida um modelo de cooperação entre instituições públicas e sociais voltado à qualificação profissional e ao atendimento de demandas da população vulnerável. Com informações: Agência MS GOV
