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Pesquisa brasileira avança na regeneração da medula espinhal com uso de polilaminina

Substância cria rede de proteínas que pode restaurar conexões nervosas; estudo clínico já foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e deve começar nos próximos anos.
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Rede de proteínas criada em laboratório pode estimular reconexão da medula espinhal e recuperar funções motoras (Foto: Divulgação) Por: Editorial | 23/02/2026 06:41

Imagine um trem que só consegue seguir viagem quando os trilhos estão conectados. Se a ferrovia é interrompida, a locomotiva para. Essa comparação ajuda a entender o que acontece com o corpo humano após uma lesão na medula espinhal: os comandos do cérebro deixam de chegar aos músculos.

É justamente nesse ponto que surge a polilaminina, substância desenvolvida a partir de uma rede de proteínas chamada laminina. O composto funciona como uma espécie de “pista biológica”, estimulando o crescimento dos axônios — estruturas responsáveis por transmitir informações entre os neurônios.

Como surgiu a pesquisa

O estudo começou há quase 30 anos com a bióloga Tatiana Sampaio, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em laboratório, ela conseguiu produzir uma rede de lamininas capaz de recriar o ambiente necessário para que os neurônios voltem a crescer após o trauma.

Segundo a pesquisadora, o conceito é simples: se o axônio precisa de uma “pista” de laminina para crescer, basta fornecer essa estrutura quando ocorre a lesão.

Em um estudo acadêmico com oito pacientes diagnosticados com lesão medular completa, 75% apresentaram recuperação de alguma função motora — percentual considerado expressivo, já que a literatura médica aponta taxa média de 10% nesses casos.

Avanços observados

Entre os ganhos relatados estão movimentos sutis, mas importantes para a autonomia, como ficar em pé com auxílio, pedalar passivamente e recuperar parte do controle da bexiga.

Pacientes tratados nas primeiras horas após o trauma apresentaram evolução mais significativa. Especialistas explicam que o tempo é fator crucial: a aplicação deve ocorrer, preferencialmente, até três dias após a lesão, antes da formação de cicatrizes que dificultam a regeneração.

Uso compassivo e controvérsias

Até agora, dezenas de pacientes recorreram à Justiça para ter acesso ao tratamento por meio do chamado “uso compassivo”, permitido quando não há alternativa terapêutica eficaz.

A Anvisa reforça que apenas ensaios clínicos controlados poderão confirmar de forma definitiva a segurança e a eficácia da substância. Parte da comunidade médica defende cautela antes de uma aplicação em larga escala.

Recentemente, quatro pacientes que receberam a polilaminina morreram. Segundo os pesquisadores, não há evidências de que os óbitos estejam relacionados ao tratamento.

Próximos passos

A Anvisa aprovou o início de um estudo clínico oficial. Se as três fases de testes forem concluídas com resultados positivos, a expectativa é que a substância possa estar disponível em até cinco anos.

Os pesquisadores defendem que, no futuro, a tecnologia seja incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso ao tratamento e oferecendo nova perspectiva para pessoas com lesões medulares graves. Com informações: g1




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