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Estudo aponta que pobreza afeta desenvolvimento motor de bebês a partir dos seis meses

Pesquisa da UFSCar indica atrasos em crianças de famílias vulneráveis, mas destaca que estímulos simples podem reverter o quadro.
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Estímulos simples e interação familiar podem ajudar a reverter atrasos no desenvolvimento motor de bebês (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil) Por: Editorial | 16/02/2026 15:45

Bebês que vivem em situação de pobreza podem apresentar prejuízos no desenvolvimento motor já a partir dos seis meses de idade. A constatação é de um estudo realizado pela Universidade Federal de São Carlos, no interior de São Paulo, que relacionou a variedade de movimentos das crianças às condições socioeconômicas das famílias. O resultado foi publicado no início de fevereiro na revista científica Acta Psychologica.

A pesquisa acompanhou 88 bebês e identificou que aqueles que viviam em lares com menos recursos apresentavam atrasos para realizar movimentos como agarrar objetos, virar e sentar. Segundo a autora do estudo, a fisioterapeuta Caroline Fioroni Ribeiro da Silva, aos seis meses esses bebês demonstravam repertório motor mais limitado e menor variação de movimentos ao tentar se sentar ou alcançar brinquedos.

O trabalho contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. De acordo com a pesquisadora, a constatação acende um alerta, pois estudos anteriores indicam que atrasos no desenvolvimento infantil podem estar associados a dificuldades futuras na aprendizagem. A literatura aponta possíveis impactos como déficit de atenção com hiperatividade e transtornos de coordenação, embora a autora ressalte que são necessários mais estudos para confirmar essas relações.

Por outro lado, o levantamento também revelou que os atrasos motores podem ser revertidos rapidamente com estímulos adequados. Aos oito meses, os bebês avaliados já não apresentavam problemas significativos, resultado atribuído principalmente ao engajamento das mães após orientações simples. Entre as práticas recomendadas estão colocar a criança de barriga para baixo sob supervisão, conversar, cantar, ler livros e oferecer objetos simples e seguros, como papel amassado, que estimulam o tato e a audição.

Segundo a pesquisadora, não é necessário o uso de brinquedos caros. O chamado tummy time, momento em que o bebê permanece de bruços em superfície segura, fortalece músculos da cabeça, pescoço, ombros e braços, preparando a criança para rolar, sentar, engatinhar e ficar de pé. O chão, quando seguro e supervisionado, foi apontado como o ambiente mais adequado para a exploração de movimentos.

O estudo identificou ainda que, em lares mais pobres, os bebês permaneciam mais tempo em carrinhos ou contidos, com menos oportunidades de explorar o ambiente, muitas vezes por falta de espaço. A presença de mais adultos no domicílio não se mostrou necessariamente positiva, possivelmente devido a ambientes considerados mais desorganizados ou com menos áreas seguras para a movimentação.

Por outro lado, a convivência com pai ou mãe na mesma residência e maior escolaridade materna estiveram associadas a melhores resultados no desenvolvimento infantil. A pesquisadora observou que responsáveis solo tendem a estar mais sobrecarregados, com menos tempo para estímulos e brincadeiras.

Entre as recomendações está a ampliação de visitas de profissionais de saúde para orientar famílias em situação de vulnerabilidade, especialmente mães adolescentes, sobre práticas simples de estimulação.

De acordo com o relatório Situação Mundial das Crianças 2025, publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, cerca de 400 milhões de crianças vivem na pobreza em todo o mundo, enfrentando privações que afetam saúde, desenvolvimento e bem-estar. Com informações: Agência Brasil




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