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Hoje é Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026.
Novos documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam menções a um "grande grupo brasileiro" em depoimentos coletados pelo FBI sobre Jeffrey Epstein, bilionário condenado por crimes sexuais nos EUA e morto em 2019.
Os arquivos, tornados públicos em dezembro de 2025, incluem dezenas de milhares de páginas com materiais de investigações sobre abusos sexuais e tráfico de mulheres e meninas atribuídos a Epstein. A referência ao grupo brasileiro aparece em anotações manuscritas de uma entrevista do FBI realizada em 2 de maio de 2019, tratando de pessoas possivelmente levadas como vítimas para encontros sexuais, incluindo menores de idade. Grande parte do conteúdo está tarjada, impedindo a identificação de envolvidos e o contexto completo.
As anotações manuscritas indicam: “Amigos de amigos [tarja]. Grande grupo brasileiro”, e mencionam fotos de uma “festa brasileira” e um “desfile brasileiro”, com as tarjas impedindo identificação de locais e pessoas. Em outro trecho, é citado alguém que “acabou de vir do Brasil” e que “era modelo”, descrevendo características físicas de pele mais escura e aparência amazônica.
O documento detalha também preferências de Epstein, citando que ele não queria “spanish or dark girls”, aparentemente referindo-se a latinas/hispânicas, e que chegou a pedir documentos das meninas para se certificar de que eram menores de 18 anos. Há menções à idade das vítimas, com anotações como “vivendo com a mãe aos 13, saiu de casa aos 14”.
Além disso, reportagens anteriores indicam que Jean-Luc Brunel, ex-agente de modelos francês acusado de tráfico sexual, esteve no Brasil em 2019 buscando modelos para Epstein. Brunel, morto em 2022 na França enquanto detido, era cofundador das agências Karin Models e MC2 Models Management, com financiamento de Epstein. Documentos indicam que ele prometia contratos e transportava garotas da França para os EUA.
Em Brasília, Brunel teria visitado a agência Mega Model para testes de modelos com destino aos EUA. O diretor da agência, Nivaldo Leite, afirmou que a visita foi apenas para conhecer a estrutura e que nenhum modelo brasileiro viajou ou manteve contato com Brunel. A Mega Model declarou oficialmente que nunca manteve qualquer relação comercial, parceria ou vínculo com Brunel ou Epstein. A empresa reforçou que sua menção nos documentos serve para comprovar que se recusou a colaborar com a MC2, protegendo suas modelos de riscos.
O Ministério da Justiça, o Itamaraty e a Polícia Federal afirmaram que não comentam investigações em curso sobre possíveis conexões brasileiras no caso Epstein.
O caso continua sob investigação, com autoridades americanas pressionadas a tornar públicos arquivos relacionados ao recrutamento de jovens e tráfico sexual associados a Jeffrey Epstein. Com informações: g1
