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O que revelam as línguas indígenas mais faladas do Brasil

Com 295 idiomas registrados, diversidade linguística expressa identidade, resistência e memória dos povos originários.
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Povo Tikúna no Alto Solimões, região que concentra o maior número de falantes da língua no Brasil (Foto: Michael Dantas) Por: Editorial | 12/02/2026 14:26

Mais do que um sistema de comunicação, a língua é também um instrumento político, social e histórico. Para os povos indígenas, ela representa pertencimento, ancestralidade e continuidade cultural. Atualmente, o Brasil registra 295 línguas indígenas, faladas por 433.980 pessoas de 391 povos, segundo dados do Censo Demográfico 2022 divulgados pelo IBGE.

Os números evidenciam diversidade e resistência. No período da chegada dos portugueses, estima-se que existiam mais de 1.200 línguas e dialetos indígenas no território que hoje corresponde ao Brasil, conforme estudos do linguista Aryon Rodrigues.

Em culturas de tradição oral, a língua carrega saberes sobre o território, a fauna, a flora, as crenças e os valores transmitidos entre gerações. Conheça as quatro línguas indígenas mais faladas no país:

Tikúna
Falado por 51.978 pessoas, o Tikúna é a língua do povo indígena mais numeroso da Amazônia brasileira, concentrado no Alto Solimões (AM) e em regiões de fronteira com Peru e Colômbia. Trata-se de uma língua isolada, sem parentesco comprovado com outras, e tonal — a entonação altera o significado das palavras.

O povo Tikúna é reconhecido por sua produção artística, como máscaras cerimoniais feitas da entrecasca de árvores, utilizadas em rituais de passagem. Após décadas de conflitos com seringueiros, madeireiros e pescadores, a maior parte de suas terras foi oficialmente reconhecida em 1990. Hoje, enfrentam desafios ligados à sustentabilidade e à presença do narcotráfico na região de fronteira.

Guarani Kaiowá
Com 38.658 falantes no Brasil, o Guarani Kaiowá pertence ao tronco Tupi-Guarani e apresenta inteligibilidade com o guarani paraguaio, idioma oficial no Paraguai. É falado principalmente no Mato Grosso do Sul.

Apesar de sua relevância cultural, o povo enfrenta problemas históricos relacionados à redução territorial e à superlotação em reservas, como a de Dourados. A língua, ensinada em escolas e cooficial em municípios como Amambai, também ganha força na cultura contemporânea. O grupo Brô MC’s, criado em 2009, mistura português e guarani em músicas que abordam as demandas indígenas e já alcançou projeção nacional.

Guajajara (Tenetehara)
Falado por 29.212 pessoas, principalmente no Maranhão, o Guajajara — chamado pelos próprios falantes de ze’egete (“fala boa”) — também integra a família Tupi-Guarani e é mutuamente inteligível com o Tembé.

O povo se autodenomina Tenetehara, que significa “gente de verdade”. Entre seus representantes de destaque estão a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e a atriz e ativista Zahy Tentehar, premiada em 2025. No mesmo ano, foi lançado o aplicativo Zane Ze’eg, desenvolvido em parceria com o Instituto Federal do Maranhão, para apoiar o ensino e a valorização da língua.

Identidade e futuro
A vitalidade dessas línguas demonstra que, apesar das perdas históricas, há movimentos de fortalecimento cultural e educacional em curso. Ao preservar e promover seus idiomas, os povos indígenas reafirmam identidades e projetam suas culturas para as próximas gerações. Com informações: EMERGE MAG




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