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Hoje é Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026.
Entre as 15 músicas mais ouvidas do Brasil no Spotify, cinco têm a assinatura de DJ Japa NK. O produtor paulista de 33 anos é responsável por “Posso Até Não te Dar Flores”, faixa que liderou o ranking nacional por 16 semanas e se consolidou como um dos principais hits do pré-carnaval nas plataformas de streaming.
Desde o lançamento, a música ultrapassou 250 milhões de reproduções e alcançou o topo das paradas, superando sucessos que vinham dominando o gosto popular. Além dela, o DJ também emplacou “Amo Minha Favela”, em parceria com MC Meno K, “Gauchinha”, “Carnívoro” e “SET DO JAPA NK 2.0”, com MC Oruam.
Artista da Bololô Records, gravadora ligada a MC Ryan SP, o produtor já lançou dois álbuns: “É o Japa NK Né Bebê”, em 2024, e “Beat que Te Deixa Alerta”, no ano passado. Ele afirma que “Posso Até Não te Dar Flores”, “Amo Minha Favela” e “Gauchinha” têm forte potencial para tocar nos blocos e trios elétricos durante o carnaval, período em que sua agenda de shows está intensa, especialmente na região Norte do país.
Natural de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, o artista passou parte da infância em Amargosa, no interior da Bahia, para onde se mudou aos 5 anos. Viveu na cidade até os 18 e descreve o período como tranquilo, distante da violência dos grandes centros. Segundo dados do IBGE, o município tem cerca de 39 mil habitantes e está localizado a 241 quilômetros de Salvador.
Ao retornar para São Paulo, foi morar no Capão Redondo, na Zona Sul, onde trabalhou como ajudante de pedreiro ao lado do pai. A mãe atuava como faxineira e a irmã como operadora de caixa. Durante mais de uma década, dividiu a rotina de obras com o interesse crescente pela música.
O primeiro contato com a produção musical aconteceu por meio do programa Virtual DJ, utilizado para mixagens de arquivos em MP3. A estreia nos palcos ocorreu ainda na Bahia, em 2008, durante uma apresentação no auditório de uma escola. Antes de voltar definitivamente a São Paulo, realizou ao menos cinco apresentações no interior baiano.
A primeira música oficial foi lançada em 2022, quando tinha 30 anos. A virada na carreira, porém, veio em 2025 com o lançamento de “Posso Até Não te Dar Flores”, primeira faixa da Bololô Records. A canção é um arrocha-funk produzida em parceria com DJ Davi DogDog e nasceu durante uma viagem ao Guarujá, no litoral paulista.
Inspirada em referências como “I Gotta Feeling” e produções com batida de arrocha, a música combina dois tipos de beats: um mais cadenciado e outro mais explosivo. A base melódica traz dedilhados acompanhados por graves marcantes, característica frequente nas produções do DJ. A alternância rítmica, segundo ele, contribui para a sensação de que a faixa termina rapidamente, incentivando novas reproduções.
A composição foi enviada a cantores parceiros após a finalização da batida, em uma madrugada que avançou até as 6h. O sucesso foi imediato e consolidou o nome do produtor entre os principais do funk nacional. Ele acredita que o ritmo tem potencial para dividir espaço com o sertanejo como um dos mais ouvidos do país, por também abordar sentimentos e situações com as quais o público se identifica.
O apelido “Japa” surgiu ainda na adolescência, em referência à ascendência japonesa. Para se diferenciar de outros amigos com a mesma origem, acrescentou “NK”, sigla que homenageia o Jardim Nakamura, comunidade próxima ao Capão Redondo. Atualmente, destaca-se como um dos poucos descendentes de asiáticos em evidência na indústria musical brasileira. De acordo com o Censo Demográfico de 2022, 0,4% dos brasileiros se declaram amarelos, e a cidade de São Paulo concentra a maior população desse grupo, com 238.603 pessoas, o equivalente a 2,1% dos habitantes do município.
As músicas do produtor frequentemente abordam términos amorosos, sofrimento e superação por meio da festa. Ele afirma que busca criar faixas com as quais o público possa se identificar, explorando sentimentos universais. Musicalmente, inspira-se em batidas do funk dos anos anteriores, recriando ou complementando elementos que marcaram época.
Nos estúdios da gravadora, a rotina costuma atravessar a madrugada. Durante as gravações, o produtor assume postura concentrada e orienta os intérpretes na construção dos versos. Para ele, o sucesso é resultado de trabalho constante, experimentação musical e conexão com o público. Com informações: g1
