|
Hoje é Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2026.
O Ibovespa iniciou 2026 em trajetória de forte valorização e já soma 11 recordes nominais até o fechamento da última quarta-feira, 11 de fevereiro. O índice vem renovando máximas em pontos correntes, reforçando o noticiário positivo e a percepção de força do mercado doméstico.
Apesar do desempenho expressivo, os dados mostram que o recorde nominal não representa, necessariamente, um novo auge estrutural. Levantamento da consultoria Elos Ayta aponta que, quando ajustado pelo IPCA, o Ibovespa está a apenas 3,24% de superar seu maior nível histórico real, registrado em 20 de maio de 2008. Naquela data, o índice alcançou 195.844 pontos em valores corrigidos pela inflação. Em 11 de fevereiro de 2026, o fechamento foi de 189.699 pontos.
Segundo Einar Riveiro, sócio-fundador da Elos Ayta, o ajuste inflacionário elimina o efeito da perda de poder de compra acumulada ao longo de quase duas décadas. “Em termos reais, o mercado brasileiro praticamente retornou ao auge pré-crise financeira global. Superar esse patamar teria um significado simbólico e estrutural, pois indicaria geração líquida de valor no longo prazo”, afirma.
No entanto, a análise em dólar apresenta um cenário distinto. Convertido para a moeda americana, o Ibovespa ainda está 21,92% abaixo do pico histórico registrado em 19 de maio de 2008, quando atingiu 44.616 pontos. No fechamento de 11 de fevereiro de 2026, o índice estava em 36.596 pontos em dólar.
A diferença evidencia que, embora o mercado esteja próximo de um novo recorde real em moeda local, ainda não retomou o nível máximo sob a perspectiva internacional. Para investidores estrangeiros, o desempenho em dólar é um indicador central, pois reflete não apenas a valorização das ações, mas também o comportamento do câmbio.
Os sucessivos recordes nominais de 2026 indicam fluxo de recursos e maior apetite por risco, sustentados por resultados corporativos, condução da política monetária e melhora nas expectativas econômicas. Ainda assim, Riveiro ressalta que máximas nominais retratam o momento atual, enquanto a superação do topo ajustado pela inflação representaria uma recuperação efetiva do valor investido.
“Ultrapassar o topo em dólar vai além: significa reposicionar o Brasil no mapa global de alocação de recursos. Para o investidor estrangeiro, é esse patamar que define se o mercado brasileiro voltou, de fato, ao seu auge histórico”, conclui. Com informações: IstoÉDinheiro
