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Hoje é Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2026.
A Embrapa Uva e Vinho lançou nesta terça-feira (10) as cultivares BRS Lis e BRS Antonella, duas novas uvas tintureiras desenvolvidas para fortalecer a produção nacional de sucos e vinhos de mesa. As variedades apresentam elevada pigmentação na casca e na polpa, característica que confere maior intensidade de cor aos derivados, e são indicadas tanto para elaboração varietal quanto para cortes industriais.
Desenvolvidas no âmbito do programa de melhoramento genético Uvas do Brasil, as cultivares foram avaliadas por mais de dez anos em áreas experimentais da Embrapa e em unidades de validação conduzidas em parceria com produtores e cooperativas da Serra Gaúcha, principal polo brasileiro de uvas destinadas ao processamento. Os testes demonstraram desempenho agronômico consistente e alinhado às demandas atuais do setor vitivinícola.
O lançamento oficial ocorre durante dias de campo realizados entre 10 e 12 de fevereiro de 2026, na sede da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. A apresentação conjunta das duas cultivares destaca a complementaridade entre elas, tanto no campo quanto na indústria, permitindo maior eficiência produtiva, redução de riscos fitossanitários e qualificação dos produtos finais.
A cultivar BRS Lis possui ciclo intermediário, com colheita concentrada na primeira quinzena de fevereiro. Destaca-se pela tolerância ao míldio e às podridões de cachos, doenças que causam grandes perdas nos vinhedos. Apresenta ainda alta qualidade do mosto, acidez equilibrada, elevado teor de açúcares e intensa coloração. Seus cachos mais soltos reduzem a incidência de doenças e contribuem para maior estabilidade produtiva, favorecendo sistemas de cultivo mais sustentáveis.
Já a BRS Antonella apresenta alto potencial produtivo, com rendimento semelhante ou superior ao das cultivares tradicionais mais utilizadas no Brasil. Também de ciclo intermediário, adapta-se bem às condições da Serra Gaúcha e é indicada para conferir volume de produção e intensidade de cor aos sucos e vinhos, sendo especialmente eficiente em cortes industriais.
Quando utilizadas em conjunto, as duas cultivares permitem ajustes mais precisos nos processos industriais, combinando o alto rendimento da BRS Antonella com a sanidade, a qualidade tecnológica e a intensidade de cor da BRS Lis. Essa estratégia reduz a dependência de variedades tradicionais que apresentam maior suscetibilidade a doenças ou limitações produtivas e industriais.
A vitivinicultura brasileira, especialmente no Rio Grande do Sul, é historicamente baseada em poucas cultivares americanas e híbridas, como Isabel, Bordô e Concord. Embora amplamente difundidas, essas variedades enfrentam desafios relacionados à sanidade, à produtividade e à qualidade tecnológica. O lançamento da BRS Lis e da BRS Antonella amplia o portfólio de cultivares nacionais desenvolvidas especificamente para as condições brasileiras, fortalecendo a autonomia tecnológica do setor.
Estudos conduzidos pela Embrapa indicam que sucos e vinhos elaborados com a BRS Lis apresentam acidez equilibrada, elevada intensidade de cor, boa estrutura de taninos e excelente paladar. A alta concentração de açúcares resulta em sucos naturalmente doces e vinhos com teor alcoólico adequado, dispensando a adição de sacarose durante a fermentação. A BRS Antonella, por sua vez, contribui com rendimento elevado e intensificação da coloração, melhorando o padrão visual e a regularidade dos produtos finais.
As duas cultivares também se destacam pelo elevado conteúdo de compostos fenólicos, como polifenóis totais e antocianinas, responsáveis pela cor, pela estrutura sensorial e pelo potencial antioxidante dos sucos e vinhos. Os índices observados são equivalentes ou superiores aos de cultivares tradicionais como Bordô, Isabel e Concord, conferindo maior estabilidade de cor e resistência à oxidação.
Do ponto de vista produtivo, econômico e ambiental, o uso combinado da BRS Lis e da BRS Antonella representa uma alternativa estratégica para os viticultores. A menor suscetibilidade a doenças reduz custos de produção, enquanto a maior previsibilidade produtiva e o bom desempenho industrial favorecem a rentabilidade por área cultivada.
A validação das novas cultivares contou com a participação de cooperativas e produtores dos municípios de Bento Gonçalves, Pinto Bandeira, São Valentim do Sul, Farroupilha e Dois Lajeados. Produtores destacaram ganhos em produtividade, coloração e facilidade de manejo, além do potencial de substituição de cultivares tradicionais como a Isabel.
O material propagativo das cultivares BRS Lis e BRS Antonella é disponibilizado por viveiristas licenciados pela Embrapa, assegurando qualidade genética e fitossanitária das mudas. A lista atualizada de viveiristas autorizados pode ser consultada no site da Embrapa Uva e Vinho. A reprodução do conteúdo é gratuita, desde que citada a fonte. Com iformações: Embrapa
