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El Niño eleva risco de incêndios no Pantanal e Mato Grosso do Sul reforça resposta estratégica com bases avançadas, aeronaves e tecnologia

Fenômeno climático deve intensificar calor e irregularidade das chuvas em 2026, ampliando o risco de fogo nos biomas do Estado; Governo já atua com planejamento preventivo e resposta rápida.
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Base avançada do Corpo de Bombeiros no Pantanal reforça a resposta rápida e eficiente no combate aos incêndios florestais (Foto: Álvaro Rezende/Secom). Por: Editorial | 05/02/2026 08:57

A influência do fenômeno climático El Niño em Mato Grosso do Sul ao longo de 2026 deve aumentar de forma significativa o risco de incêndios florestais nos biomas do Estado, especialmente no Pantanal, além do Cerrado e da Mata Atlântica. O fenômeno altera o regime de chuvas, eleva as temperaturas e modifica os padrões de vento, criando condições favoráveis à propagação do fogo, sobretudo durante o período seco.

Em Mato Grosso do Sul, os efeitos do El Niño se manifestam de maneira direta, com previsão de temperaturas mais elevadas inclusive no inverno e maior irregularidade das precipitações. Diante desse cenário, o Estado conta com uma estrutura preparada para resposta ágil, que envolve planejamento estratégico, uso intensivo de tecnologia, atuação terrestre e aérea e a instalação de bases avançadas em regiões de difícil acesso.

(Foto: Álvaro Rezende/Secom).

Segundo a meteorologista Valesca Fernandes, do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), a situação tende a se agravar nos próximos meses. Ela explica que, até janeiro, o Estado registrou volumes de chuva abaixo do esperado, o que contribuiu para o aumento do risco ambiental. Embora desde o início de fevereiro alguns municípios tenham superado a média mensal de precipitação, o alerta permanece.

(Foto: Álvaro Rezende/Secom).

As análises são realizadas a partir do monitoramento de 48 municípios, com dados consolidados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

(Foto: Álvaro Rezende/Secom).

De acordo com Valesca Fernandes, o trimestre de fevereiro a abril apresenta condições de neutralidade em relação ao El Niño, porém há indícios de retorno do fenômeno no segundo semestre. Esse cenário pode favorecer a ocorrência de temperaturas acima da média e ondas de calor, justamente durante o período seco, quando a umidade relativa do ar atinge níveis mais baixos. A combinação de calor intenso, baixa umidade e déficit hídrico aumenta consideravelmente a probabilidade de incêndios florestais.

O El Niño também está associado ao aumento de eventos climáticos severos e foi um dos fatores que contribuíram para os recordes de temperatura registrados entre 2023 e 2025. A previsão do Cemtec indica que o fenômeno deve se desenvolver entre o fim do outono e o início do inverno, com elevação das temperaturas já a partir de março. Além disso, o próximo período úmido tende a ser marcado por chuvas irregulares e abaixo da média histórica.

Diante desse contexto, o Governo de Mato Grosso do Sul vem intensificando ações de prevenção e combate aos incêndios florestais. O Corpo de Bombeiros Militar atua tanto por terra quanto pelo ar, utilizando aeronaves para o combate direto às chamas em áreas remotas e para o transporte de equipes especializadas. A operação também conta com o uso de drones, imagens de satélite e análises de georreferenciamento, que auxiliam na detecção precoce dos focos e tornam as ações mais eficazes.

(Foto: Álvaro Rezende/Secom).

Os resultados desse planejamento já puderam ser observados na Operação Pantanal 2025, que registrou uma redução expressiva no número de focos de calor e na área atingida pelo fogo. Em Mato Grosso do Sul, foram queimados pouco mais de 202,6 mil hectares, número significativamente inferior ao registrado em 2024, quando mais de 2,3 milhões de hectares foram consumidos pelas chamas. Em ambos os anos, a atuação preventiva e a resposta rápida do Estado foram determinantes para o controle dos incêndios.

(Foto: Álvaro Rezende/Secom).

A redução histórica está relacionada a diversos fatores, como a maior conscientização da população, o fortalecimento da atuação interinstitucional, a eficiência no combate inicial aos focos de incêndio e a qualificação técnica das equipes. Somente no ano passado, quase mil brigadistas foram formados, reforçando a capacidade operacional do Estado, mesmo em um cenário de déficit hídrico persistente.

A fase de preparação teve papel fundamental, com a realização de manejos preventivos do fogo, capacitação contínua de bombeiros militares e brigadistas e a instalação, desde 2024, de bases avançadas no Pantanal. Essas estruturas reduziram o tempo de resposta das equipes e ampliaram a presença permanente do Estado em áreas estratégicas.

(Foto: Álvaro Rezende/Secom).

Durante a fase operacional, os Bombeiros monitoraram 924 eventos de fogo detectados por satélite e atuaram diretamente no combate a 88 deles, totalizando 1.105 ações de enfrentamento às chamas. Ao todo, 1.298 militares foram mobilizados, com apoio de 60 viaturas, para atender 4.391 ocorrências ao longo do período, a maioria em áreas urbanas ou periurbanas.

(Foto: Álvaro Rezende/Secom).

De acordo com o subdiretor de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros Militar, major Eduardo Teixeira, o padrão de qualidade do trabalho foi mantido durante todo o ano. Em diversas situações, as equipes conseguiram combater os focos de incêndio ainda na fase inicial, antes mesmo de serem identificados pelos sistemas de monitoramento via satélite, reforçando a eficiência da estratégia adotada pelo Estado. Com informações: Agência MS GOV




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