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Um mês sem Maduro na Venezuela: mudanças e continuidade no país

Após captura do ditador pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, vice-presidente Delcy Rodríguez assume o poder e implementa medidas sob pressão norte-americana, mantendo o chavismo.
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Nicolás Maduro vota em Caracas antes de ser capturado pelos Estados Unidos em 3 de janeiro (Foto: Juan Barreto/AFP) Por: Editorial | 04/02/2026 07:31

Há um mês, na madrugada de 3 de janeiro, operações dos Estados Unidos resultaram na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. Eles foram levados para Nova York para julgamento por tráfico de drogas.

O comando do país passou para a vice-presidente Delcy Rodríguez, que assumiu sob influência direta de Washington, conduzindo mudanças exigidas pelos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que mantém o discurso chavista. Entre as medidas implementadas estão a reaproximação com Washington, a abertura do setor petroleiro e o anúncio de anistia geral, transformando o cenário político venezuelano.

Guillermo Tell Aveledo, professor de Estudos Políticos, descreve o momento como uma “estabilidade tutelada”. Embora o chavismo permaneça no poder, os Estados Unidos pressionam Rodríguez para cumprir seus objetivos. O secretário de Estado Marco Rubio alertou que a vice-presidente pode ter o mesmo destino de Maduro caso não siga a agenda americana. Recentemente, Rodríguez recebeu Laura Dogu, nova chefe da missão diplomática americana, reforçando a retomada das relações rompidas em 2019.

No setor petrolífero, uma reforma da lei do petróleo permite que empresas privadas operem de forma independente, sem participação obrigatória da estatal PDVSA, reduz royalties, simplifica impostos e abre espaço para investimentos internacionais, incluindo a Chevron. Analistas estimam que a Venezuela precisaria de cerca de US$ 150 bilhões para recuperar a indústria, que sofreu com corrupção e má gestão. Trump passou a controlar parte das vendas de petróleo venezuelano, sem os descontos do embargo de 2019, gerando US$ 500 milhões na primeira operação.

No governo, Rodríguez substituiu ministros e oficiais de alta patente das Forças Armadas, mas líderes influentes, como Diosdado Cabello e Vladimir Padrino, permanecem. O chavismo mantém suas tradições, promovendo marchas contra o que chama de “sequestro” de Maduro e exibindo imagens do ex-presidente e da esposa em shows de luzes com drones.

A vice-presidente anunciou uma anistia geral, que precisa ser votada pelo Parlamento. A medida deve beneficiar presos políticos; atualmente, 687 pessoas permanecem detidas por motivos políticos, segundo a ONG Foro Penal. Além disso, foi anunciado o fechamento do Helicoide, prisão denunciada historicamente por torturas. Apesar da diminuição do medo imposto por Maduro, a repressão ainda é tema de cautela entre a população, caracterizando uma “liberalização tática”, segundo especialistas. Com informações: g1




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