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Human Rights Watch recomenda nova estratégia do Brasil para enfrentar infiltração do crime organizado no Estado

ONG internacional alerta que país deve priorizar combate às facções criminosas e destaca segurança como tema central na eleição presidencial.
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Placa de trânsito na RR-205, que dá acesso à Terra Indígena Raposa Serra do Sol, pichada com a sigla do PCC, ilustrando a infiltração de facções criminosas no Estado brasileiro (Foto: Fórum Brasileiro de Segurança Pública/Reprodução) Por: Editorial | 04/02/2026 07:19

O Brasil precisa adotar novas estratégias para combater o crime organizado e sua infiltração nas instituições públicas, alerta a ONG Human Rights Watch (HRW) em seu relatório mundial de 2026, divulgado nesta quarta-feira (4). O documento analisa a situação dos direitos humanos em mais de cem países e dedica um capítulo específico às políticas de segurança brasileira.

Segundo César Muñoz, diretor da HRW no Brasil, agentes públicos, incluindo policiais e políticos em níveis locais, têm sido cooptados por facções criminosas, comprometendo o funcionamento do Estado. Ele recomenda que as autoridades conduzam investigações aprofundadas e baseadas em inteligência para identificar e desarticular essas conexões.

A ONG sugere que o Brasil implemente medidas baseadas em ciência e dados para desmantelar os grupos criminosos, proteja os direitos da população e dos policiais, fortaleça a investigação policial, garanta a independência das perícias e melhore a coordenação entre órgãos federais e estaduais no combate ao tráfico de armas, lavagem de dinheiro e outras fontes de renda das facções.

O relatório cita casos recentes do Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua em setores como transporte público, mercado de combustíveis e fundos de investimento, além de fraudes em contratos públicos. Também destaca a condenação de 11 policiais militares por segurança ilegal a um delator da facção.

A HRW critica o modelo atual de segurança, baseado em operações militares nas comunidades, que aumenta a violência e coloca em risco tanto a população quanto os policiais. Dados do Ministério da Justiça apontam que em 2025 ocorreram 6.519 mortes causadas por agentes de segurança, um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior.

O tema da segurança pública também é central para a população. Pesquisa da Ipsos-Ipec divulgada em fevereiro de 2026 mostra que 41% dos brasileiros consideram crime e violência suas principais preocupações. Recentes operações contra facções no Rio de Janeiro, que resultaram em 121 mortes, reforçam a atenção ao tema. O governo federal enviou ao Congresso propostas como a PEC da Segurança Pública e um projeto de lei que endurece penas para integrantes de facções.

O relatório da HRW também faz um panorama mais amplo dos direitos humanos no país, destacando desigualdades raciais, superlotação do sistema prisional e fraudes em serviços públicos, além de avanços e retrocessos em políticas ambientais e digitais.

No contexto global, a HRW aponta o mandato de Donald Trump, bem como ações de Vladimir Putin e Xi Jinping, como ameaças aos direitos humanos, destacando que 72% da população mundial vive sob regimes autoritários. A ONG defende uma aliança internacional para conter o avanço autoritário e proteger direitos humanos. Com informações: g1




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