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Hoje é Sábado, 28 de Fevereiro de 2026.
Em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, a chuva frequente durante o verão inspirou uma iniciativa inovadora de moda consciente. A designer Juliana Pinto criou uma marca que transforma guarda-chuvas descartados em jaquetas corta-vento, bolsas e acessórios exclusivos, unindo sustentabilidade, design autoral e geração de renda.
A ideia nasceu em 2017, quando Juliana cursava Design de Moda e recebeu o desafio de desenvolver uma marca sustentável do zero. Sem experiência inicial, buscou orientação com a mãe, Mara Pereira, que já tinha afinidade com reciclagem.
“Ela tinha capas de chuva e tecidos de guarda-chuva sem a ferragem. Pensei: por que não fazer um casaco com esse material?”, explica Juliana.
Moradora de Petrópolis, Juliana percebeu que guarda-chuvas quebrados eram facilmente encontrados após temporais, o que abriu uma oportunidade para transformar o que seria descartado em produto de moda. O primeiro modelo foi criado como trabalho acadêmico e chamou atenção de professores e colegas, que passaram a solicitar novas peças.
Com investimento inicial de R$ 400, Juliana produziu algumas peças para testar a aceitação e levou-as a uma feira local, onde todas foram vendidas no mesmo dia. Pouco depois, sua mãe passou a atuar oficialmente no negócio, cuidando de corte, costura, lavagem e preparação dos tecidos reutilizados.
A produção é artesanal e cada peça é única. Cada jaqueta pode usar até quatro guarda-chuvas, dependendo do tamanho e da combinação de cores, e a marca lança coleções a cada dois meses. Atualmente, são produzidas cerca de 150 peças por mês, vendidas exclusivamente online, com divulgação por meio de ensaios fotográficos e redes sociais. O público-alvo é formado principalmente por jovens interessados em arte, moda e sustentabilidade.
Parte dos guarda-chuvas utilizados é fornecida pela Coleta Seletiva de Petrópolis, em parceria com a Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis (COMDEP). A cidade recolhe entre 100 e 120 toneladas de resíduos por mês, dos quais aproximadamente 200 guarda-chuvas são doados para a marca. Após a coleta, os guarda-chuvas passam por triagem, lavagem, desmontagem e seleção de tecidos, sendo a costura final realizada por profissionais parceiras.
A iniciativa se destaca em um setor conhecido pelo alto impacto ambiental, mostrando que é possível transformar resíduos em produtos de moda com valor agregado. Atualmente, a marca fatura cerca de R$ 200 mil por ano e planeja expandir sua atuação para outros mercados, com foco em moda consciente. Com informações: g1
