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Hoje é Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2026.
O Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) está implementando uma prática inovadora no atendimento à população indígena ao integrar a medicina tradicional Guarani Kaiowá ao tratamento clínico hospitalar. A iniciativa é desenvolvida por meio do Comitê de Saúde Indígena da unidade e tem como objetivo oferecer um cuidado intercultural, respeitando saberes, crenças e práticas tradicionais.
Nos dias 12 e 21 de janeiro, a Clínica Pediátrica do hospital recebeu sessões conduzidas pela rezadeira Ñandesy Floriza Souza, da aldeia Jaguapiru. As ações incluíram orientações na língua materna, a realização do Ñevanga, reza curativa tradicional, e a aplicação tópica do pohã ñanã, medicamentos naturais utilizados na cultura Guarani Kaiowá. Para esse povo, o conceito de saúde está diretamente ligado à relação entre corpo, espírito, natureza e comunidade.
A proposta busca proporcionar maior conforto durante o período de internação e incentivar a presença dos saberes tradicionais dentro do ambiente hospitalar. As atividades contam com o apoio de intérpretes da língua guarani, que atuam na mediação entre pacientes, profissionais de saúde e o comitê, articulando demandas clínicas, culturais e espirituais.
Segundo o hospital, a realização das práticas ocorre sempre a pedido do paciente e não é inédita na unidade. O HU já adotou a integração da medicina tradicional em outras ocasiões, respeitando a autonomia, a cultura e os desejos das pessoas indígenas durante o processo de cuidado.
De acordo com a coordenadora do Comitê de Saúde Indígena do HU, Luciana Comunian, o hospital tem intensificado o diálogo com rezadores e pacientes para fortalecer essa integração. Ela destaca que os intérpretes da língua guarani desempenham papel fundamental ao identificar o desejo dos pacientes em receber cuidados tradicionais e facilitar a comunicação entre todos os envolvidos.
Para o vice-coordenador do comitê, Alan Simon, a continuidade das práticas é essencial para respeitar as especificidades do povo Guarani Kaiowá. Ele ressalta que, para essas comunidades, o processo de adoecimento e de cura vai além do tratamento biomédico, envolvendo aspectos cosmológicos, espirituais e tradicionais.
O superintendente do hospital, Hermeto Paschoalick, afirma que a inclusão dos saberes tradicionais contribui para um cuidado mais integral e personalizado, criando um ambiente de segurança e confiança para os pacientes indígenas, o que impacta positivamente na adesão ao tratamento e nos resultados clínicos.
Atualmente, intérpretes indígenas realizam acolhimento individualizado e mediam a inserção das práticas tradicionais como apoio ao tratamento hospitalar. Além disso, equipes do HU e do programa de residência em saúde indígena atuam diretamente nos territórios das aldeias, integrando a atenção especializada com a atenção primária.
Como parte da expansão do projeto, o Hospital Universitário está em processo de construção de uma casa de reza em seu terreno. O espaço será destinado ao acolhimento intercultural e à realização das práticas tradicionais de forma segura e adequada, consolidando o HU de Dourados como referência em saúde intercultural na região. Com informações: Dourados News
