|
Hoje é Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2026.
Ser fã de artistas internacionais tem se tornado uma tarefa cada vez mais onerosa. Recentemente, fãs de Harry Styles no Brasil se surpreenderam com os preços de ingressos para os shows marcados para julho. Embora shows de artistas estrangeiros sempre tenham custado mais, os valores atuais têm gerado preocupação e críticas nas redes sociais.
Especialistas do setor explicam que o aumento dos ingressos vai além da inflação. Segundo um produtor ouvido pelo g1, os principais fatores são: aumento do cachê dos artistas, que agora dependem mais de shows do que de streams; produção de shows mais robustos, com grandes estruturas de luzes, som e efeitos especiais, que encarecem transporte e montagem; e aumento geral de custos, incluindo passagens, hospedagem, transporte de carga e salários.
O aumento nos preços é visível na prática. Comparando os shows de Harry Styles em 2022 e 2026, o valor da pista praticamente dobrou: passou de R$ 358 para R$ 700. Considerando a inflação acumulada de aproximadamente 20% a 25%, o ingresso deveria custar cerca de R$ 450. Para artistas consolidados como Iron Maiden, os ingressos em São Paulo subiram cerca de 49% entre 2022 e 2026, quase o dobro da inflação, sem contar taxas adicionais.
No Brasil, fatores locais contribuem para o aumento. A lei da meia-entrada obriga produtores a ajustar o preço da inteira para compensar os descontos, e a tributação sobre o cachê bruto dos artistas aumenta os custos, diferentemente de outros países, onde impostos incidem sobre o lucro líquido. Além disso, taxas de serviço, processamento e administração podem inflar o preço final em 20% a 30%. O Procon-SP informou já ter aplicado multas a empresas de venda de ingressos e manter investigações sobre cobrança indevida de taxas.
O aumento de preços não é exclusividade do Brasil. Em países como os Estados Unidos, os ingressos variam de acordo com a proximidade do palco e a demanda, com mercados mais caros e impostos menores, o que gera preços ainda mais altos. Grandes artistas como Taylor Swift, Pearl Jam e Bruce Springsteen já criticaram plataformas de venda como a Ticketmaster, acusadas de práticas predatórias, monopólio e taxas enganosas.
Apesar do alto custo, enquanto os shows continuam esgotando, o mercado não tem incentivo para reduzir preços. Para os fãs, a realidade é compreender os fatores que influenciam os valores e decidir até onde é possível investir. Com informações: g1
