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Hoje é Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2026.
O rebanho bovino dos Estados Unidos caiu para o menor nível desde 1951, segundo relatório divulgado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) na última sexta-feira (30). A redução sinaliza que os preços da carne bovina devem continuar elevados para os consumidores, após atingirem patamares recordes ao longo de 2025.
De acordo com o levantamento semestral do USDA, o país possuía 86,2 milhões de bovinos e bezerros em 1º de janeiro deste ano. O número representa uma queda de 0,4% em relação ao ano anterior, quando o rebanho já havia alcançado o menor nível em mais de sete décadas. A principal causa apontada é a seca persistente, que levou pecuaristas a reduzir seus plantéis diante da escassez de pastagens e do aumento dos custos de alimentação.
Especialistas avaliam que a recuperação do setor não será imediata. Segundo Rich Nelson, estrategista-chefe da consultoria Allendale, os preços da carne devem permanecer altos por pelo menos mais dois anos, período necessário para a criação de animais prontos para o abate, caso os produtores iniciem a recomposição do rebanho. Para ele, ainda não há sinais concretos de uma retomada consistente da produção.
A redução do rebanho ocorre de forma contínua desde 2019, especialmente nos estados do oeste norte-americano, onde a seca prolongada afetou severamente as condições de criação. Além disso, os preços elevados do gado têm incentivado os pecuaristas a vender animais para o abate, em vez de mantê-los para reprodução.
O número de vacas de corte caiu 1% em relação ao ano anterior, totalizando 27,6 milhões de cabeças em 1º de janeiro, o menor patamar desde 1961. O rebanho total também inclui vacas leiteiras, que frequentemente são destinadas ao abate para a produção de carne.
Os preços elevados da carne bovina têm pressionado o custo de vida nos Estados Unidos. Em dezembro, o preço da carne moída no varejo atingiu o recorde de US$ 6,69 por libra, alta de mais de 2% em relação ao mês anterior e de 19% na comparação anual, segundo dados do Bureau of Labor Statistics.
O cenário também tem impacto no setor industrial. A Tyson Foods, uma das maiores processadoras de carne bovina do país, anunciou o fechamento definitivo de uma unidade em Nebraska, que empregava cerca de 3.200 trabalhadores, além da redução das operações em uma fábrica no Texas. A empresa deve divulgar seus resultados trimestrais nesta semana. Com informações: g1
