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Hoje é Domingo, 01 de Fevereiro de 2026.
Com ruas calmas, forte senso de comunidade e cercada pelas montanhas do Caparaó, Dores do Rio Preto, no Sul do Espírito Santo, está há quase quatro anos sem registrar homicídios. O último assassinato no município ocorreu em 15 de maio de 2022, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo (Sesp-ES). Desde então, a cidade não voltou a contabilizar mortes violentas, tornando-se referência em tranquilidade no interior capixaba.
Com cerca de 6,5 mil habitantes, Dores do Rio Preto tem uma rotina marcada pela proximidade entre os moradores e pelo perfil típico de cidade pequena. A economia local é baseada principalmente na cafeicultura de montanha e no turismo, impulsionado pela proximidade com o Parque Nacional do Caparaó e pelo acesso ao Pico da Bandeira, o terceiro ponto mais alto do Brasil.
Moradores relatam que a sensação de segurança faz parte do dia a dia. O estudante Bruno Protázio, de 21 anos, que vive no distrito de Pedra Menina desde a infância, afirma que a convivência próxima entre as pessoas contribui para esse cenário. Segundo ele, mesmo com o crescimento do turismo nos últimos anos, a tranquilidade permanece, reforçada pelo aumento do policiamento na região.
O prefeito Tiaguinho Pessotti (PP), em seu primeiro mandato, atribui os resultados ao diálogo constante entre a administração municipal e as forças de segurança, além do perfil acolhedor da população. De acordo com ele, há quatro meses o distrito de Pedra Menina passou a contar com uma companhia da Polícia Militar, o que ampliou a sensação de segurança tanto para moradores quanto para turistas.
Além do reforço policial, a população também utiliza ferramentas comunitárias para prevenção de crimes. Em Pedra Menina, moradores participam de um grupo de WhatsApp no qual compartilham informações sobre situações suspeitas e ocorrências do cotidiano, facilitando o acionamento rápido da polícia quando necessário.
Apesar de não registrar homicídios desde 2022, o município ainda contabiliza crimes contra o patrimônio, como furtos e estelionatos. Entre 2022 e 2025, foram registrados 173 casos de estelionato e fraude, além de furtos em residências, estabelecimentos comerciais e, em menor número, roubos. Mesmo assim, Dores do Rio Preto figura entre as cidades capixabas com menor número de ocorrências desse tipo no período.
O município está entre os menos populosos do Espírito Santo e possui apenas 0,78% de seu território urbanizado. A maior parte da área é rural, o que reforça o estilo de vida tranquilo e a forte ligação com a natureza. A cidade também faz divisa com Minas Gerais, compartilhando com o estado vizinho áreas do Parque Nacional do Caparaó.
A cafeicultura de montanha é um dos principais orgulhos locais. A produção de cafés especiais ganhou destaque nacional nos últimos anos, com pequenos produtores conquistando reconhecimento e atraindo visitantes interessados na experiência rural. Em 2017, um café produzido no município foi eleito o melhor do Brasil, fortalecendo ainda mais a economia local.
O turismo também cresce de forma constante, impulsionado pela melhoria da infraestrutura e pelo asfaltamento de acessos. A cidade integra projetos que visam inserir a região em rotas nacionais e internacionais de turismo de aventura, como a Travessia dos 7 Cumes, percurso que prevê trilhas, hospedagens, cafeterias e atrações naturais ao longo do caminho.
Fundada a partir de povoamentos do século XIX, a cidade teve sua emancipação em 1963. O nome Dores do Rio Preto faz referência à padroeira Nossa Senhora das Dores e ao rio que marca a divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais. Mesmo com o desenvolvimento econômico e turístico, o município mantém características de cidade do interior, combinando crescimento com baixos índices de violência. Com informações: g1
