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Hoje é Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026.
Mais de 350 periquitos morreram após a queda de um pé de eucalipto durante uma forte tempestade no interior do Maranhão, na madrugada de quinta-feira (29). O caso ocorreu no município de Lajeado Novo e mobilizou órgãos ambientais e especialistas para entender por que tantas aves não conseguiram escapar do impacto.
Segundo o médico-veterinário e professor da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), Leonardo Moreira, o comportamento natural da espécie foi um dos principais fatores para o alto número de mortes. Periquitos são aves diurnas e tendem a permanecer imóveis e agrupados durante a noite para reduzir o risco de predação, o que diminui a capacidade de reação em situações inesperadas.
No momento da queda da árvore, muitas aves provavelmente estavam posicionadas no lado que atingiu o solo, sem tempo hábil para fugir. Outras conseguiram voar e foram vistas posteriormente em árvores próximas, formando grandes bandos, o que indica que parte do grupo sobreviveu ao acidente.
As aves utilizavam um eucalipto de aproximadamente 32 metros de altura como local de descanso noturno, prática comum entre periquitos, que preferem árvores altas por segurança. A escolha do abrigo está mais relacionada à proximidade de alimento e água do que à espécie da árvore.
Outro fator determinante foi a chuva intensa. Diferentemente de aves aquáticas, periquitos não possuem um sistema eficiente de impermeabilização das penas. Quando encharcadas, as asas perdem a capacidade de sustentação, dificultando ou até impedindo o voo. Além disso, ventos fortes, risco de hipotermia e turbulência podem ter agravado a situação, reduzindo ainda mais as chances de fuga.
(Foto: Ronis Milhomem)
Entre os 27 periquitos resgatados com vida, três morreram durante o transporte de Imperatriz para São Luís. Os sobreviventes estão sob cuidados no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, onde recebem tratamento veterinário. Muitos apresentavam fraturas, lesões traumáticas e sinais de trauma craniano, além de casos graves de arrancamento de pele.
De acordo com o especialista, impactos de alta intensidade podem causar hemorragias internas severas, com danos em órgãos como fígado e pulmões. Embora algumas fraturas em aves possam cicatrizar em cerca de 20 dias, os casos de fratura exposta apresentam maior risco de infecção e menor chance de recuperação.
O Ibama informou que os animais resgatados estão sendo medicados, alimentados com dieta especial e monitorados continuamente. Apesar dos esforços, é esperado que parte dos sobreviventes ainda não resista às complicações.
Após o ocorrido, moradores da região recolheram algumas aves e as levaram para casa. O ICMBio reforçou que manter animais silvestres em cativeiro é crime ambiental e orientou que qualquer pessoa que esteja com aves resgatadas faça a devolução voluntária às autoridades ambientais, contribuindo para a reabilitação da fauna afetada. Com informações: g1
