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Hoje é Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2026.
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano já era amplamente esperada pelo mercado financeiro. No entanto, o principal destaque da reunião foi o tom do comunicado divulgado após o anúncio, que trouxe uma sinalização inédita sobre a possibilidade de início de um ciclo de cortes na próxima reunião, marcada para os dias 17 e 18 de março, desde que o cenário econômico se confirme conforme o esperado.
O Copom indicou que, em um ambiente de inflação menor e com maior evidência dos efeitos da política monetária, poderá iniciar a flexibilização da taxa básica de juros, mas ressaltou que o processo será conduzido com cautela e serenidade, mantendo o compromisso com a convergência da inflação à meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
A sinalização dividiu analistas quanto à magnitude do primeiro corte. Parte do mercado aposta em uma redução de 0,25 ponto percentual, defendendo que o Banco Central seguirá uma postura conservadora diante dos riscos inflacionários. Outros especialistas avaliam que há espaço para um corte mais expressivo, de 0,50 ponto percentual, considerando o arrefecimento recente da inflação e o avanço da transmissão da política monetária.
Economistas destacaram que o último parágrafo do comunicado representou uma mudança relevante na comunicação do Banco Central, retomando o uso do chamado forward guidance, ao antecipar de forma explícita a intenção de iniciar o ciclo de afrouxamento monetário. Para alguns analistas, a mensagem indica que o ciclo de aperto monetário chegou ao fim, mas que o ritmo dos cortes dependerá da evolução de indicadores como inflação, atividade econômica, mercado de trabalho, política fiscal e cenário externo.
Instituições financeiras apresentam projeções divergentes. Enquanto alguns bancos estimam cortes graduais de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões, outros projetam reduções de 0,50 ponto percentual, com a Selic encerrando 2026 entre 11,5% e 12,5%, de acordo com estimativas do mercado e do Boletim Focus.
O Copom também destacou que o ambiente internacional segue incerto, especialmente em função da política econômica dos Estados Unidos e das tensões geopolíticas, fatores que exigem cautela adicional por parte de países emergentes. No cenário doméstico, o comitê reconhece sinais de moderação no crescimento econômico e arrefecimento da inflação, embora as expectativas inflacionárias ainda permaneçam acima da meta.
Esta foi a primeira reunião do Copom em 2026 e a quinta consecutiva sem alteração na taxa de juros, reforçando a estratégia do Banco Central de evitar uma flexibilização prematura que possa comprometer a ancoragem das expectativas de inflação. Com informações: IstoÉDinheiro
