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MPF investiga Coca-Cola por uso indevido de imagem de indígenas em Mato Grosso do Sul

Etnias kinikinau e terena aparecem em processo de certificação internacional da empresa em Campo Grande; investigação busca apurar apropriação cultural.
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Unidade da Coca-Cola Femsa em Campo Grande é alvo de investigação do MPF por uso indevido da imagem de indígenas kinikinau e terena em processo de certificação internacional sobre uso sustentável da água (Foto: Gerson Oliveira) Por: Editorial | 28/01/2026 16:28

A fábrica da Coca-Cola em Campo Grande, pertencente à multinacional mexicana Femsa, está sendo investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) por suposta apropriação indevida de imagens e da identidade cultural das etnias indígenas kinikinau e terena. Segundo o MPF, as imagens teriam sido utilizadas no processo de certificação internacional Alliance for Water Stewardship (AWS), que avalia o uso sustentável da água.

A Procuradoria da República em Mato Grosso do Sul instaurou procedimento administrativo para acompanhar o processo de certificação da planta de Campo Grande. O procurador Luiz Eduardo Camargo Outeiro Hernandes explicou que a ação ocorre “em razão da notícia de suposta apropriação indevida da imagem e da identidade cultural de povos indígenas das etnias kinikinau e terena”. Foram enviados ofícios à Coca-Cola e à Coordenação Regional da Funai para obtenção de informações adicionais sobre o caso.

Em nota ao MPF, a Coca-Cola Femsa afirmou que segue padrões da certificação AWS e que “o engajamento e o diálogo contínuo com diversas partes interessadas” fazem parte das ações para conquistar a aliança. A empresa destacou que dois líderes das comunidades indígenas foram convidados para uma reunião em que foram informados sobre atividades, impactos e critérios de certificação da empresa. O MPF determinou ainda que a companhia se manifeste, em até 10 dias, sobre eventuais novos encontros com as comunidades e sobre a situação atual da certificação. O procedimento administrativo terá duração de um ano.

A certificação AWS é uma aliança global com padrão internacional para uso responsável da água, envolvendo mais de 200 membros de setores público, privado e da sociedade civil. Nos últimos dois anos, nove unidades da Coca-Cola Femsa na América Latina receberam a certificação, incluindo Mogi das Cruzes, no Brasil. Em 2024, a empresa atingiu meta de 1,36 litro de água por litro de bebida produzida e pretende reduzir para 1,26 litro em 2026.

Os indígenas kinikinau vivem principalmente na aldeia São João, no município de Porto Murtinho, e em outras cidades do estado. Os terena são a segunda maior etnia de Mato Grosso do Sul, com cerca de 42,5 mil pessoas, espalhadas por cidades como Miranda, Dourados e Sidrolândia.

A Coca-Cola Femsa produz e distribui diversas marcas de bebidas, incluindo Coca-Cola, Crystal, Fanta, Sprite, Kuat, Schweppes, Del Valle, Matte Leão, Ades, Powerade e Monster Energy, além de bebidas alcoólicas e doces, destacando o impacto potencial de sua presença econômica e social na região. Com informações: Correio do Estado




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