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Hoje é Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2026.
Luana Cristina Camargo, bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília (UnB) e ex-bolsista da Capes/MEC, coordena pesquisas voltadas ao desenvolvimento de medicamentos para a Doença de Alzheimer utilizando peptídeos derivados do veneno de vespas sociais. Durante o mestrado na UnB, Camargo padronizou um modelo pré-clínico da doença induzido pela β-amiloide e iniciou o estudo do potencial terapêutico de moléculas bioinspiradas na peçonha da vespa Polybia occidentalis, denominadas octovespinas, que apresentaram efeito de inibição da agregação da β-amiloide e melhora nos déficits cognitivos em modelos animais quando administradas diretamente no cérebro.
O estudo foi expandido durante o doutorado na Alemanha, na Universidade de Düsseldorf, onde a pesquisadora padronizou novos modelos transgênicos da Doença de Alzheimer e avaliou as propriedades farmacocinéticas e farmacodinâmicas dos peptídeos desenvolvidos com a técnica de mirror-phage display. Atualmente, a pesquisa inclui a avaliação do potencial da octovespina via administração intranasal e o desenvolvimento de nanoformulações que facilitem a entrega cerebral do composto. Estudos bioinformáticos em parceria com o Instituto de Física da UnB também buscam identificar outros possíveis alvos farmacológicos da molécula.
Além do potencial terapêutico, a pesquisa de Luana Cristina visa reduzir os custos do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados ao tratamento da Doença de Alzheimer, valorizar a biodiversidade brasileira e disseminar informações sobre fatores de risco associados à doença. A pesquisadora destacou que a Capes/MEC contribuiu para sua formação por meio de bolsas durante a graduação, o programa Ciência Sem Fronteiras e o pós-doutorado, permitindo o desenvolvimento contínuo de novos peptídeos e modelos experimentais para estudo da doença.
Durante o pós-doutorado, Camargo iniciou também o desenvolvimento de um modelo de barreira hematoencefálica com células humanas imortalizadas, com objetivo de reduzir o uso de animais nos experimentos e otimizar o desenvolvimento de compostos que atuem no cérebro. Além disso, dois projetos de pesquisa foram aprovados pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), resultando na criação de quatro novos compostos derivados de peptídeos naturais de animais, atualmente em fase de estudo não-clínico. Com informações: Agência GOV
