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Hoje é Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2026.
O uso de chips em cavalos deixou de se limitar à identificação e à rastreabilidade e começa a ganhar espaço como ferramenta de apoio ao monitoramento da saúde e do bem-estar dos equinos. Com a integração de sensores e sistemas de inteligência artificial, a tecnologia possibilita o acompanhamento contínuo de dados fisiológicos e comportamentais, antecipando problemas clínicos e auxiliando decisões no manejo, mesmo ainda em fase inicial de adoção no Brasil.
Atualmente, a maior parte dos chips implantados em cavalos no país tem finalidade exclusivamente registral, especialmente em raças como o puro-sangue inglês e o quarto de milha. No entanto, estudos acadêmicos e soluções tecnológicas em desenvolvimento indicam uma tendência de ampliação das funcionalidades desses dispositivos no campo.
A aplicação de sensores e chips subcutâneos permite a coleta automática de informações como nível de atividade, temperatura corporal e padrões de comportamento. Esses dados são processados por sistemas de inteligência artificial, que comparam os registros ao histórico individual de cada animal, gerando alertas e análises precisas.
Segundo a pesquisadora Dra. Maquiel Vidal Nardon, essa abordagem favorece a detecção precoce de alterações fisiológicas e comportamentais, muitas vezes antes do surgimento de sinais clínicos visíveis. Mudanças na marcha, no comportamento ou indícios de dor e inflamação podem ser identificados com maior precisão, permitindo intervenções rápidas e reduzindo custos com tratamentos tardios. A análise baseada em dados também diminui a subjetividade nas avaliações clínicas, ao oferecer parâmetros objetivos e comparáveis ao longo do tempo.
Apesar dos avanços, o monitoramento de saúde por meio de chips ainda não é amplamente disseminado entre os criadores brasileiros. De acordo com Nardon, a adoção inicial ocorreu principalmente em centros de treinamento de alto rendimento e haras com animais de elevado valor econômico. Com o avanço de plataformas baseadas na Internet das Coisas e softwares em nuvem, os custos e a complexidade de implantação começaram a diminuir, abrindo espaço para a expansão da tecnologia a diferentes perfis de criadores.
Na prática, a identificação eletrônica ainda é o uso mais comum do chip em cavalos no Brasil. O jornalista e criador de cavalos Hermano Henning, apresentador do quadro Hora do Haras, do programa Pecuária e Mercado, no Notícias Agrícolas, explica que, no caso do puro-sangue inglês, o dispositivo é implantado por inspetores das associações de raça no momento do registro do animal, reunindo dados de linhagem e exames como o de DNA. O mesmo procedimento ocorre com o quarto de milha, sem finalidade de monitoramento de saúde ou atividade.
Mesmo com aplicação comercial ainda restrita, pesquisas nacionais já demonstram o potencial da tecnologia. Um estudo publicado em 2025 na revista científica Lumen et Virtus (LEV) avaliou um sistema de inteligência artificial aplicado ao acompanhamento da saúde de cavalos da Polícia Militar do Paraná, comprovando a viabilidade do uso da tecnologia para emissão de alertas e relatórios fisiológicos.
Do ponto de vista legal, não há lei federal que obrigue o uso de chips para monitoramento da saúde de equinos. Existem, porém, projetos em tramitação nos estados. No Rio Grande do Sul, uma proposta prevê a obrigatoriedade do microchip para identificação eletrônica e liberação de trânsito de equinos, com emissão digital da Guia de Trânsito Animal. Em Sergipe, há iniciativa semelhante voltada à identificação de equinos, muares e asininos. No âmbito federal, o Ministério da Agricultura e Pecuária discute a criação de um sistema integrado nacional de identificação e rastreamento de equídeos, com foco sanitário e de mobilidade.
A implantação do chip é realizada por médicos-veterinários, geralmente na região do pescoço, sob a pele, em clínicas especializadas, associações de criadores ou programas coordenados por órgãos estaduais. Entre os principais desafios para a expansão da tecnologia estão a conectividade em áreas rurais, a capacitação técnica para interpretação dos dados e o custo inicial de aquisição. Ainda assim, a tendência é de crescimento do uso de soluções baseadas em dados no manejo equino, com impactos diretos na saúde, no bem-estar e na eficiência da atividade. Com informações: Notícias Agrícolas.
