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Hoje é Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2026.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lançou nesta terça-feira (27) o primeiro modelo de profissionalização da arbitragem nacional em seus mais de cem anos de história. A iniciativa estabelece a contratação, por temporada, de equipes fixas de árbitros para atuar nas partidas do Campeonato Brasileiro da Série A ao longo do ano.
O novo projeto prevê remuneração mensal, com salários, taxas variáveis e bônus por desempenho. Os profissionais deverão se dedicar prioritariamente à arbitragem, mas sem exigência de exclusividade. Além disso, contarão com apoio técnico, psicológico, preparação física e acompanhamento permanente nas áreas de saúde e desempenho.
Ao todo, 72 profissionais integram o programa: 20 árbitros centrais — sendo 11 do quadro da Fifa —, 40 árbitros assistentes, dos quais 20 também são credenciados pela entidade internacional, e outros 12 árbitros de vídeo (VAR), todos vinculados à Fifa. Ao final de cada temporada, os participantes poderão ser rebaixados conforme avaliação de desempenho, com a saída mínima de dois profissionais por função e a promoção de árbitros que se destacarem ao longo do ano.
Durante o evento de lançamento, realizado no Rio de Janeiro, o presidente da CBF, Samir Xaud, destacou que a iniciativa segue padrões adotados por grandes federações internacionais. Segundo ele, trata-se de uma pauta discutida há anos no futebol brasileiro e que agora avança de forma estruturada.
Até então, mesmo atuando no mais alto nível do futebol nacional, os árbitros não possuíam vínculo formal com a CBF e eram remunerados apenas por partida, em um modelo semelhante ao trabalho freelancer. A confederação reconhece que a ausência de estabilidade e suporte impactava diretamente o desempenho da arbitragem.
Com o novo formato, os árbitros passarão por avaliações sistemáticas feitas por observadores e por uma comissão técnica contratada pela entidade. As notas levarão em conta critérios como controle de jogo, aplicação das regras, preparo físico e clareza na comunicação, resultando em um ranking atualizado a cada rodada do Brasileirão.
Os profissionais terão planos individualizados de treinamento, com rotinas semanais de exercícios físicos, monitoramento tecnológico e quatro avaliações anuais, incluindo testes físicos e simulações de jogo. A rede de apoio contará com preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo.
O programa começou a ser desenhado ao longo do ano passado por um grupo de trabalho liderado por Netto Góes, Helder Melillo e Davi Feques, com a participação de 38 clubes das Séries A e B, além de árbitros, federações, associações e consultores internacionais. A implantação oficial ocorre a partir de março, com investimento estimado em R$ 195 milhões para o biênio 2026–2027. Com informações: Agência Brasil.
