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Hoje é Terça-feira, 27 de Janeiro de 2026.
Uma casa de fachada vinho, na Rua Atílio Banducci, no bairro Coophasul, em Campo Grande, desperta a curiosidade de quem passa pelo local. No alto do imóvel, dois leões sustentam um escudo com um brasão de origem húngara, um detalhe que transformou a residência em um pequeno mistério urbano. A peça é obra de José Rogério Magó, escultor e militar carioca que viveu na Capital sul-mato-grossense e deixou sua marca em diferentes pontos da cidade e do país.
Magó, hoje com 60 anos, chegou a Campo Grande em 2002 e permaneceu por alguns anos antes de retornar ao Rio de Janeiro. O brasão instalado na casa representa o emblema de sua família, originária do sul da Hungria, conhecida como Magyország Címer. Segundo ele, foi a única obra desse tipo feita sob medida para uma residência particular.
(Foto: Natália Olliver).
Além do brasão, o artista também é responsável por esculturas na entrada do Colégio Militar de Campo Grande e colaborou na confecção da escultura do Guaicurus, no Parque das Nações Indígenas. No Rio de Janeiro, produziu brasões para navios da Marinha do Brasil e para diversas organizações militares.
(Foto: Natália Olliver).
Antes de se dedicar à escultura, Magó trabalhava com marcenaria na Praia Grande, em São Paulo. Ao se mudar para Mato Grosso do Sul, perdeu a renda extra e enfrentou dificuldades financeiras. Foi nesse período que, segundo ele, uma experiência de fé o levou a iniciar na escultura, mesmo sem formação ou experiência prévia.
Após meses de prática solitária, recebeu o apoio de Anor Pereira, que reconheceu seu talento e o incentivou a produzir peças mais complexas. A partir daí, Magó passou a criar esculturas com temas históricos e militares, incluindo troféus, bustos de autoridades, monumentos e mascotes de missões oficiais, como o PROANTAR e a missão no Haiti.
(Foto: Natália Olliver).
Conhecido como o “sargento escultor”, ganhou destaque no meio militar por seu trabalho artístico, produzindo obras que hoje circulam por lojas, quartéis e instituições em diferentes estados. Em um dos maiores desafios da carreira, chegou a criar um monumento de quatro metros de altura, mesmo ainda se considerando um aprendiz.
Após 33 anos de serviço no Exército, pediu baixa em 2018 para se dedicar à família, que vivia em diferentes cidades da Hungria. Posteriormente, retornou ao Brasil e se estabeleceu em São Vicente, no litoral paulista, onde segue estudando artes e mantendo viva a prática da escultura.
(Foto: Natália Olliver).
A casa no Coophasul, hoje alugada, mantém as esculturas e o brasão por decisão dos inquilinos, que consideram as peças bonitas e simbólicas. Assim, o imóvel segue como um marco silencioso da trajetória de um artista que transformou fé, disciplina militar e criatividade em legado cultural. Com informações: Campo Grande News
