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De “Borboletas Psicodélicas” a “Sem História, Sem Destino”: os nomes inusitados de ruas em São Paulo

Levantamento do g1 revela a origem de logradouros com nomes curiosos espalhados por todas as regiões da capital, que completa 472 anos.
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Travessa Sem História, Sem Destino no Jardim da Conquista, na Zona Leste de São Paulo, uma das vias com nomes inspirados em músicas e escolhidos com participação dos moradores (Foto: Paola Patriarca/g1). Por: Editorial | 24/01/2026 07:09

Caminhar pela Rua Borboletas Psicodélicas, estacionar na Travessa dos Nomes Mágicos ou atravessar a Travessa Sem História, Sem Destino pode parecer parte de um poema, letra de música ou título de livro. Em São Paulo, porém, esses nomes fazem parte do cotidiano de milhares de moradores e ajudam a contar a história da cidade de uma forma criativa e simbólica.

Um levantamento realizado pelo g1, com base no Dicionário de Ruas elaborado pelo Núcleo de Memória Urbana do Arquivo Histórico Municipal, mostra que diversas vias da capital receberam denominações inspiradas em músicas, poemas, livros, plantas, localidades e personagens históricos. Esses nomes, além de curiosos, refletem a identidade cultural, afetiva e histórica dos bairros.

Na Zona Leste, o bairro Jardim da Conquista se destaca por reunir 143 logradouros com nomes ligados ao universo musical. As denominações foram oficializadas em 1992, durante um processo de regularização de ruas que antes possuíam apenas numeração. Moradores participaram ativamente da escolha dos nomes, selecionando títulos de canções populares a partir de discos que possuíam em casa.

Entre os exemplos estão Travessa Evidências, inspirada na música de José Augusto e Paulo Sergio Valle; Travessa Estúpido Cupido, baseada no sucesso de Celly Campello; Travessa Além do Horizonte, referência a Roberto Carlos; Travessa Tristeza do Jeca, ligada à música de Zezé Di Camargo e Luciano; e Travessa Sem História, Sem Destino, cujo nome vem de uma composição de Paulo Debétio e Paulinho Rezende. Outras vias do bairro fazem referência a canções como Sonho de um Carnaval, Sentimental Demais, Paz na Terra, Doce Presença e Nave-Mãe.

Ainda na Zona Leste, há ruas com nomes que remetem a aves, municípios, manifestações culturais e músicas. Entre elas estão Travessa Cabeça Encarnada, Rua Dudu, Rua Palma Sola, Rua Verão do Cometa, Rua Reinado do Cavalo Marinho, Rua Chaveslândia, Rua Neve na Bahia e Rua Saudade Triste.

Na Zona Sul, os nomes curiosos se conectam a obras musicais, poemas e livros. A Rua Borboletas Psicodélicas, no Jabaquara, deriva de um trecho de uma composição para piano de Henrique Morozowicz. A Travessa dos Nomes Mágicos homenageia um poema de Carlos Drummond de Andrade, enquanto a Rua Viagem ao Céu faz referência ao livro infantil de Monteiro Lobato. Já a Rua da Música Aquática remete à suíte orquestral barroca de Georg Friedrich Handel.

Na Zona Norte, os nomes evocam tanto a memória rural quanto o lirismo. A Travessa Coração Entristecido foi batizada a partir de uma peça musical de Kilza Setti. A Rua Tanque Velho preserva a lembrança de um antigo sítio com reservatório de água utilizado para animais. A Rua Sol da Meia-Noite recebeu o nome de uma espécie de crisântemo originária da Ásia.

Na Zona Oeste, aparecem topônimos, plantas e personagens históricos. A Praça Chá da Alegria, cujo nome correto é Chã da Alegria, refere-se a um município pernambucano. A Travessa Maravilha Tristeza corresponde ao nome popular de uma planta ornamental. A Rua Simpatia surgiu a partir da forma como os próprios moradores se referiam ao local desde a década de 1940. Já a Rua Leão Coroado homenageia um personagem da Revolução Pernambucana de 1817.

Algumas dessas vias não possuem Código de Endereçamento Postal, segundo os Correios, por não apresentarem lotes ou pontos de entrega que justifiquem a criação de um CEP próprio.

O processo de nomeação de ruas em São Paulo envolve a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento. Propostas podem ser feitas por vereadores, secretarias, associações de moradores ou cidadãos. As denominações podem ocorrer por decreto municipal ou por projeto de lei e passam por avaliação da Secretaria Municipal de Cultura, que analisa o mérito das homenagens e possíveis impedimentos legais.

Em 2024, foram registradas 198 solicitações para nomeação de logradouros, com 129 processos concluídos e 77 aprovações. Em 2025, houve 183 solicitações, das quais 137 já foram analisadas, resultando em 51 deferimentos, enquanto os demais pedidos seguem em avaliação. Com informações: g1




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