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Da bronca da cebola à geladeira irritada, vídeos de alimentos e objetos falantes feitos por IA inundam as redes

Conteúdos criados com inteligência artificial misturam humor e dicas de conservação, mas levantam dúvidas sobre a confiabilidade das informações compartilhadas.
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Vídeos de alimentos e objetos falantes criados com inteligência artificial viralizam nas redes sociais e geram debates sobre humor e desinformação (Foto: Reprodução/TikTok). Por: Editorial | 23/01/2026 13:15

Vídeos produzidos com inteligência artificial mostrando alimentos e objetos “falantes” têm se espalhado rapidamente pelas redes sociais, especialmente no Instagram e no TikTok. Nas gravações, itens como bananas, pães, cebolas e até geladeiras ganham voz e personalidade para reclamar sobre a forma como são utilizados ou armazenados, muitas vezes em tom bem-humorado e ranzinza.

Em um dos exemplos que viralizaram, uma casca de banana afirma que não deveria ser jogada fora e sugere ser transformada em adubo. Em outro, um pão de forma reclama que a geladeira o deixa ressecado e sem sabor, defendendo que seu lugar ideal seria fora do refrigerador. O formato criativo tem atraído milhões de visualizações e impulsionado o surgimento de perfis dedicados exclusivamente a esse tipo de conteúdo.

O g1 identificou que parte desses vídeos foi criada com o Veo 3, ferramenta de inteligência artificial do Google capaz de gerar vídeos ultrarrealistas. A tecnologia já havia sido utilizada em outros conteúdos virais em 2025, incluindo personagens fictícios que simulavam apresentadores e figuras públicas. Além de alimentos, alguns vídeos também apresentam objetos do cotidiano, como geladeiras, pastas de dente e esponjas de lavar louça, sempre com expressões humanas e falas irônicas.

Grande parte dos posts traz dicas sobre conservação e uso de alimentos, envolvendo itens como frutas, legumes, massas e carnes. No entanto, muitas dessas recomendações são apresentadas sem citar fontes técnicas ou científicas, o que levanta preocupações sobre a veracidade das informações divulgadas. Hashtags como #alimentosfalantes e #objetosfalantes já acumulam centenas de publicações, reforçando a força da tendência.

Para analisar o impacto desse tipo de conteúdo, o g1 ouviu a especialista em cyberpsicologia Angelica Mari, que estuda a relação entre tecnologia e comportamento humano. Segundo ela, o formato pode induzir o público a confiar nas informações simplesmente pelo fato de o objeto “parecer saber” como deve ser utilizado, mesmo quando não há embasamento técnico.

A especialista alerta que algumas regras apresentadas nos vídeos são questionáveis, principalmente em relação à conservação de alimentos, e reforça a importância de checar a procedência das orientações. Por outro lado, ela reconhece que o uso de linguagem simples, acessível e narrativa contribui para maior engajamento e facilita a assimilação de instruções, especialmente quando comparado a comunicados oficiais ou técnicos.

O fenômeno também se aproxima da tendência conhecida como brain rot, termo utilizado para descrever a sensação de desgaste mental causada pelo consumo excessivo de conteúdos superficiais nas redes sociais. A expressão ganhou destaque ao ser eleita a palavra do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford, refletindo a popularização de vídeos com narrativas simples, personagens absurdos e humor rápido.

Assim, os vídeos de alimentos e objetos falantes representam uma combinação de tecnologia, entretenimento e viralização, mas também reforçam a necessidade de atenção crítica ao conteúdo consumido, especialmente quando envolve dicas práticas e informações sobre saúde e alimentação. Com informações: g1




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