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Vendas de ovos crescem em janeiro, mas custos elevados ainda pressionam produtores

Alta na demanda traz alívio momentâneo ao setor, que segue atento ao desequilíbrio entre preços, custos de produção e poder de compra.
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Produção de ovos enfrenta alta nos custos e pressão sobre as margens, mesmo com aumento da demanda no mercado interno. (Foto: Divulgação). Por: Editorial | 23/01/2026 08:58

O crescimento nas vendas de ovos observado em janeiro trouxe fôlego ao setor avícola, mas ainda não se converteu em uma recomposição consistente das margens de produção. Mesmo com o mercado mais aquecido, os custos elevados com ração e outros insumos continuam diluindo os ganhos dos produtores, que seguem operando com cautela em relação ao caixa e a novos investimentos.

Na avaliação de Edival Veras, presidente do Instituto Ovos Brasil, o setor enfrenta um desequilíbrio preocupante entre preços e custos. Segundo ele, apesar de uma leve recuperação recente, a margem negativa ainda persiste, o que pode frear investimentos e levar à redução da produção. Esse movimento tende a provocar distorções no mercado, com impactos diretos na oferta e nos preços ao consumidor. Para o dirigente, o cenário ideal é aquele em que produção e consumo avançam de forma equilibrada, garantindo remuneração adequada ao produtor e preços acessíveis à população.

Embora o avanço das exportações ajude a sustentar o mercado no curto prazo, o efeito estrutural ainda é limitado. Atualmente, cerca de 99% da produção nacional de ovos é destinada ao mercado interno. Ainda assim, o setor mantém expectativas positivas quanto à abertura de novos mercados internacionais, impulsionada pela qualidade do produto brasileiro e pelo bom status sanitário da avicultura nacional.

O aumento da procura por proteínas mais acessíveis também favorece o consumo de ovos e de frango, mas os custos seguem como principal desafio. De acordo com o Instituto Ovos Brasil, o planejamento da produção depende de fatores que vão além da demanda, como condições climáticas, preços do milho e da soja, logística e infraestrutura, o que limita a capacidade do produtor de aproveitar plenamente os períodos de maior consumo.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) reforçam essa leitura. Segundo a pesquisadora Claudia Scarpelin, responsável pela área de ovos no centro, o recente movimento de valorização ainda não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas. Ela destaca que, apesar da forte alta das cotações nos últimos dias, a média parcial de janeiro permanece abaixo dos patamares registrados em dezembro e no início do ano, além de ainda não ter retornado aos níveis anteriores às quedas observadas no fim de 2025.

Outro ponto de atenção é o poder de compra do produtor frente aos principais insumos. Conforme o Cepea, a relação de troca do avicultor de postura com milho e farelo de soja segue em queda nesta parcial de janeiro, pressionada pelas desvalorizações mais intensas nos preços dos ovos.

No curto prazo, a expectativa é de manutenção de preços firmes. O retorno das aulas escolares em fevereiro tende a fortalecer a demanda e favorecer as vendas. Por outro lado, as altas temperaturas em algumas regiões produtoras mantêm o setor em alerta, devido aos possíveis impactos sobre a produtividade.

O cenário, segundo analistas e representantes do setor, é de um mercado que reage ao crescimento da demanda, mas ainda opera mais por necessidade de ajuste do que por conforto financeiro. Enquanto os custos permanecerem elevados, o aumento das vendas seguirá sendo absorvido como medida de equilíbrio, e não como ganho efetivo para o produtor. Com informações: Notícias Agrícolas.




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