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Hoje é Terça-feira, 13 de Janeiro de 2026.
O Brasil manteve um fluxo comercial próximo de US$ 3 bilhões com o Irã em 2025, mesmo com o país persa respondendo por apenas 0,84% das exportações brasileiras no período. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e mostram que as vendas nacionais para Teerã somaram US$ 2,9 bilhões no ano passado.
Com esse volume, o Irã consolidou-se como o quinto principal destino das exportações brasileiras no Oriente Médio. No ranking geral, ocupa a 31ª posição entre os parceiros comerciais do Brasil, ficando na região atrás apenas de Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita. Em 2025, as exportações ao país superaram, inclusive, as destinadas a mercados como Suíça, África do Sul e Rússia.
O comércio bilateral é fortemente concentrado no agronegócio. Milho e soja responderam juntos por 87,2% das exportações brasileiras ao Irã no ano passado. O milho liderou com folga, representando 67,9% do total, com vendas superiores a US$ 1,9 bilhão. A soja respondeu por 19,3%, somando cerca de US$ 563 milhões. Também aparecem entre os principais produtos exportados açúcares e itens de confeitaria, farelos de soja destinados à alimentação animal e petróleo.
As importações brasileiras provenientes do Irã, por outro lado, foram bem mais modestas. Em 2025, o Brasil comprou cerca de US$ 84 milhões do país, com destaque para adubos e fertilizantes, que corresponderam a aproximadamente 79% do total importado. Frutas, nozes, pistaches e uvas secas também figuram entre os principais itens adquiridos.
A relação comercial entre os dois países tem registrado oscilações nos últimos anos. Em 2022, as exportações brasileiras ao Irã alcançaram US$ 4,2 bilhões, o maior valor da série recente. Em seguida, houve recuo em 2023 e retomada gradual em 2024 e 2025. Do lado das importações, as variações foram ainda mais acentuadas, com quedas expressivas em 2023 e recuperação no ano passado.
O tema ganhou nova dimensão nesta segunda-feira (12), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de impor tarifas de 25% a países que mantiverem relações comerciais com o Irã. Segundo o republicano, a taxa incidiria sobre todas as transações desses países com os Estados Unidos e teria aplicação imediata, embora a Casa Branca ainda não tenha divulgado os detalhes formais da medida.
O anúncio acendeu um alerta sobre possíveis impactos ao comércio brasileiro, especialmente no agronegócio, principal beneficiário da relação com Teerã. O governo federal informou que aguarda a publicação da eventual ordem executiva norte-americana para se manifestar oficialmente sobre o assunto.
Paralelamente ao avanço comercial, Brasil e Irã também intensificaram iniciativas diplomáticas. Em abril de 2024, o ministro da Agricultura do Irã esteve no Brasil e reuniu-se com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Na ocasião, foi acertada a criação de um comitê agrícola e consultivo bilateral, com foco em agilizar pautas de interesse comum, ampliar o intercâmbio técnico e discutir medidas para facilitar o comércio entre os países.
Durante a visita, o governo iraniano demonstrou interesse em instalar uma empresa de navegação no Brasil, iniciativa que poderia reduzir custos logísticos e ampliar o fluxo comercial. Desde agosto de 2023, o Irã integra o Brics, bloco do qual o Brasil é membro fundador.
A possível imposição de tarifas pelos Estados Unidos ocorre em um contexto de aumento das tensões entre Washington e Teerã, marcado por ameaças mútuas, repressão a protestos internos no Irã e declarações recentes de autoridades de ambos os países sobre a possibilidade de negociações, sem descartar um agravamento do cenário de conflito. Com informações: Agência Brasil.
