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Atendimentos por infertilidade masculina no SUS mais que dobram em dez anos

Registros passaram de 725 em 2015 para 2,5 mil em 2024, refletindo mudanças de comportamento, maior acesso à saúde e aumento de fatores de risco.
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Exame de espermograma é fundamental para avaliar a quantidade, mobilidade e qualidade dos espermatozoides na investigação da infertilidade masculina (Foto: Freepik). Por: Editorial | 12/01/2026 10:34

O número de atendimentos relacionados à infertilidade masculina no Sistema Único de Saúde (SUS) mais que dobrou na última década, segundo dados do Ministério da Saúde obtidos pelo g1. Em 2015, foram registrados 725 atendimentos. Em 2024, o total chegou a 2,5 mil, o maior da série histórica. Apenas até setembro de 2025, já haviam sido contabilizados 1,5 mil registros.

Os números incluem atendimentos ambulatoriais e hospitalares lançados nos sistemas oficiais do SUS e não representam, necessariamente, o total de pacientes nem diagnósticos definitivos, já que uma mesma pessoa pode passar por vários atendimentos. Ainda assim, especialistas afirmam que o crescimento reflete uma maior procura dos homens por avaliação médica, aliada ao aumento de fatores que prejudicam a fertilidade.

De acordo com o urologista Gustavo Guimarães, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, os dados não indicam apenas um aumento direto da infertilidade, mas mostram que mais homens estão chegando ao sistema de saúde e que os fatores de risco estão mais presentes na população masculina.

Após oscilações ao longo dos anos, os registros passaram a crescer de forma mais consistente a partir de 2021, período que coincide com a retomada dos atendimentos após a fase mais crítica da pandemia de Covid-19 e com a ampliação do acesso aos serviços de saúde. Para o urologista e andrologista Rafael Ambar, esse avanço acompanha o que vem sendo observado nos consultórios, impulsionado por obesidade, sedentarismo, uso de anabolizantes, poluição ambiental e pelo adiamento da decisão de ter filhos.

Na medicina, a infertilidade é definida quando não ocorre gravidez após um ano de relações sexuais regulares sem uso de métodos contraceptivos. Estudos indicam que o fator masculino está presente em 40% a 50% dos casos de infertilidade conjugal, isoladamente ou associado a fatores femininos. Segundo o urologista Romulo Nunes, a investigação precoce do homem é essencial, já que a infertilidade deve ser encarada como um problema do casal.

Entre as causas mais comuns estão a varicocele, alterações hormonais, infecções do trato genital, doenças genéticas e sequelas de tratamentos oncológicos. Nos últimos anos, fatores ligados ao estilo de vida têm ganhado destaque, como obesidade, consumo excessivo de álcool, tabagismo, sedentarismo, uso de testosterona e exposição a poluentes e calor excessivo. A idade também influencia: após os 40 anos, há queda progressiva na qualidade do sêmen e aumento do risco de alterações genéticas.

Na maioria dos casos, a infertilidade masculina não apresenta sintomas, o que contribui para o subdiagnóstico. O tratamento pode envolver correção de causas específicas, mudanças de hábitos e, quando necessário, técnicas de reprodução assistida. Especialistas reforçam que quanto mais cedo o homem busca avaliação, maiores são as chances de identificar causas tratáveis e evitar procedimentos mais complexos. Com informações: g1




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