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Hoje é Domingo, 11 de Janeiro de 2026.
O clima de tensão no Oriente Médio escalou neste domingo (10), após o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, declarar que as bases e instalações militares dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio seriam considerados "alvos legítimos" caso os Estados Unidos realizem um ataque contra o Irã. A ameaça ocorre em um contexto de crescentes desafios internos e externos enfrentados pelo regime iraniano, incluindo protestos populares contra a repressão do governo e a crescente pressão de Washington.
Durante a sessão parlamentar, Qalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária, afirmou: "Sejamos claros: no caso de um ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), bem como todas as bases e navios dos EUA, serão nosso alvo legítimo". O presidente do Parlamento reforçou a ideia de que o país está enfrentando seus inimigos em diversas frentes: econômica, cognitiva, militar e de contraterrorismo.
Essas declarações surgem em meio a relatos de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria avaliando opções militares em resposta à repressão brutal aos protestos no Irã. Segundo fontes da CNN, autoridades americanas indicaram que Trump está considerando cumprir as ameaças de atacar o regime iraniano caso o uso de força letal contra manifestantes continue.
Os protestos no Irã, que já resultaram em centenas de mortes e mais de 10 mil detenções, têm gerado uma crescente onda de repúdio internacional. De acordo com a organização Human Rights Activists in Iran, pelo menos 490 manifestantes foram mortos nos últimos dias, mas esses números ainda não foram confirmados de forma independente.
O regime iraniano enfrenta um apagão de internet e telecomunicações, que entrou no quarto dia, com o governo bloqueando o acesso à rede mundial de computadores e linhas telefônicas para dificultar a comunicação durante a crise. Os manifestantes, que começaram a se mobilizar devido à grave crise econômica, passaram a protestar contra o regime teocrático desde a Revolução Islâmica de 1979, gerando o maior desafio ao governo dos aiatolás em anos.
Enquanto isso, autoridades em Teerã acusam os Estados Unidos e Israel de incitarem os protestos e de apoiar a desestabilização interna. O presidente Masoud Pezeshkian, em uma entrevista à TV estatal, acusou os inimigos do Irã de recrutarem "terroristas" que atacaram mesquitas, bancos e propriedades públicas. "Famílias, eu lhes peço: não permitam que seus filhos pequenos se juntem a desordeiros e terroristas que decapitam pessoas e matam outras", pediu Pezeshkian, reafirmando que o governo está disposto a ouvir as demandas populares e resolver os problemas econômicos do país.
A tensão no Oriente Médio permanece alta, com as ameaças de um conflito direto entre os EUA e o Irã gerando temores de escalada militar na região, enquanto os protestos internos desafiam a estabilidade do regime iraniano.Com informações da Reuters e CNN Internacional
