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Hoje é Sábado, 10 de Janeiro de 2026.
O agronegócio brasileiro pode ser um dos principais setores beneficiados pelo recente avanço no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), cujo texto foi aprovado provisoriamente pelos países europeus após mais de 25 anos de negociações.
Nesta sexta-feira (9), em reunião de embaixadores em Bruxelas, a maioria qualificada dos 27 Estados-membros da UE sinalizou apoio ao pacto, abrindo caminho para a assinatura formal do acordo que deve ocorrer em breve, possivelmente a partir da próxima semana no Paraguai.
O acordo — ainda sujeito à aprovação final do Parlamento Europeu e à ratificação nos países — cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, que engloba centenas de milhões de consumidores e um mercado com enorme potencial para exportações brasileiras.
Para o Brasil, o impacto mais imediato está no setor agropecuário, que deve ganhar acesso ampliado ao mercado europeu com a eliminação de tarifas sobre grande parte dos produtos exportados, incluindo carnes (suína, de frango e bovina), açúcar e óleos e gorduras vegetais.
Segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a remoção de tarifas em até 77% dos produtos agropecuários exportados pelo Mercosul pode aumentar a competitividade dos produtos brasileiros na UE, impulsionando a renda do setor e ampliando a participação do país nas exportações globais.
Especialistas apontam que, além de ampliar mercados, o acordo também deve facilitar investimentos e reduzir custos logísticos, favorecendo setores integrados ao agronegócio, como máquinas, alimentícios e biocombustíveis. A exportação de etanol, por exemplo, poderá crescer com cotas dedicadas que beneficiam produtores brasileiros.
Ainda que o agronegócio seja destacado como um dos maiores beneficiários diretos, o pacto também traz desafios, como a necessidade de atender a rígidos padrões sanitários e ambientais da UE, que exigem conformidade com normas de segurança alimentar, rastreabilidade e responsabilidade socioambiental.
Analistas ressaltam que, com a abertura definitiva do acordo, o Brasil poderá consolidar sua posição como fornecedor global de alimentos e produtos agrícolas, ao mesmo tempo em que enfrenta a concorrência de outros países integrantes do Mercosul, como Argentina, Uruguai e Paraguai. Com informações: G1.
