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Hoje é Sábado, 10 de Janeiro de 2026.
O risco de interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos rumos políticos do Brasil é real, mas não deve ocorrer da maneira mais óbvia ou direta, avalia um cientista político ouvido pela revista VEJA. A análise ganha força no atual contexto geopolítico, marcado pela prisão de Nicolás Maduro e pelo aumento da influência americana sobre a América Latina.
De acordo com o especialista, Trump dificilmente atuaria de forma explícita no processo eleitoral brasileiro, como ocorreu em outros episódios internacionais. Em vez disso, a interferência tenderia a acontecer por meios indiretos, como o estímulo a narrativas políticas, o uso estratégico de informações sensíveis e a amplificação de discursos por meio das redes sociais.
O cientista político explica que, após a prisão de Maduro, os Estados Unidos passaram a deter dados relevantes sobre o funcionamento do regime chavista, incluindo possíveis conexões com corrupção, financiamento ilegal e narcotráfico. Essas informações, ainda que nem sempre comprovadas ou judicializadas, poderiam ser utilizadas como instrumentos de pressão política contra governos de esquerda na região, inclusive o Brasil.
Nesse cenário, a influência não se daria por ações oficiais do governo americano, mas pela circulação de acusações, vazamentos seletivos e discursos que reforçam a polarização política. Plataformas digitais e redes sociais seriam os principais vetores desse tipo de interferência, tornando o impacto mais difuso e difícil de identificar formalmente.
Apesar disso, o especialista pondera que uma interferência direta no sistema eleitoral brasileiro é considerada improvável. As instituições do país são vistas como mais robustas, e qualquer ação explícita poderia gerar reações diplomáticas e institucionais negativas para os Estados Unidos.
A análise também destaca que a relação entre Washington e Brasília tem sido marcada por pragmatismo. Exemplos recentes incluem negociações comerciais, revisão de tarifas e declarações públicas cordiais entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esses movimentos indicam que os interesses estratégicos e econômicos tendem a se sobrepor a confrontos diretos.
Em síntese, o risco de interferência existe, mas se manifesta de maneira indireta, por meio de disputas narrativas, pressões simbólicas e uso político da informação, especialmente em ambientes digitais. Trata-se de uma influência menos visível, porém potencialmente relevante para o ambiente político brasileiro. Com informações Veja
