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Aos 33 anos, mulher decide retirar as mamas preventivamente após descobrir mutação genética ligada ao câncer

Sem diagnóstico da doença, psicóloga optou pela mastectomia bilateral ao identificar alteração no gene BRCA2 e enfrentar histórico familiar marcado por câncer.
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A psicóloga Jéssica Mras optou por mastectomia bilateral preventiva após descobrir mutação no gene BRCA2, associada a alto risco de câncer (Foto: Arquivo Pessoal). Por: Editorial | 09/01/2026 13:10

A psicóloga Jéssica Mras, de 33 anos, decidiu passar por uma mastectomia bilateral preventiva mesmo sem apresentar diagnóstico de câncer ou alterações em exames clínicos. A decisão ocorreu após a descoberta de uma mutação no gene BRCA2, associada a um risco elevado de desenvolvimento de câncer de mama e outros tumores. A escolha foi construída ao longo de meses, baseada em histórico familiar, acompanhamento médico especializado e reflexões sobre prevenção e qualidade de vida.

O primeiro alerta surgiu em 2018, quando a avó de Jéssica morreu em decorrência de um câncer de pâncreas diagnosticado tardiamente. Três anos depois, em 2021, a mãe recebeu o diagnóstico de câncer de ovário, enfrentando um tratamento longo e delicado. Durante esse processo, médicos levantaram a suspeita de predisposição genética, confirmada após exames que identificaram a mutação no gene BRCA2.

Com o resultado positivo, Jéssica foi orientada a realizar acompanhamento especializado. Embora não tenha reagido com desespero ao diagnóstico genético, ela relata que precisou lidar com a responsabilidade de decidir como agir diante do risco aumentado. Os genes BRCA1 e BRCA2 são responsáveis por reparar danos no DNA, e quando sofrem mutações, aumentam a probabilidade de surgimento de tumores, especialmente de mama e ovário.

Segundo especialistas, mulheres com mutação no BRCA2 podem ter até 45% de risco de desenvolver câncer de mama ao longo da vida, além de maior probabilidade de outros tipos de câncer. No entanto, a presença da mutação não significa que a doença seja inevitável, mas exige mudanças no acompanhamento médico e na tomada de decisões preventivas.

Após consultas com mastologistas, oncologistas e cirurgiões plásticos, Jéssica avaliou duas opções: a vigilância intensa, com exames frequentes, ou a mastectomia bilateral redutora de risco. Influenciada pela experiência da mãe e pelo entendimento de que poderia enfrentar a mesma cirurgia no futuro, ela optou pela retirada preventiva das mamas.

A cirurgia foi realizada em agosto de 2024, com preservação dos mamilos. O pós-operatório foi mais difícil do que o esperado, exigindo auxílio constante e enfrentamento de dores e limitações físicas. O impacto emocional também foi intenso ao se deparar com as cicatrizes e com um corpo diferente do habitual.

O processo de reconstrução mamária ocorreu em etapas, começando com a colocação de expansores para preparar a pele antes das próteses definitivas. Jéssica destaca que não se trata de uma cirurgia estética, mas de um percurso longo e exigente, tanto fisicamente quanto psicologicamente.

A análise das mamas retiradas revelou um achado inesperado: células atípicas em estágio pré-cancerígeno. Segundo os médicos, a cirurgia foi realizada no momento certo, evitando que a paciente precisasse enfrentar, além da mastectomia, um tratamento oncológico completo.

Apesar da redução significativa do risco de câncer de mama, o acompanhamento médico continua. A mutação no BRCA2 também eleva o risco de câncer de ovário, e a retirada preventiva dos ovários é uma possibilidade futura, considerada mais complexa por envolver menopausa precoce e impactos na fertilidade. No caso de Jéssica, essa decisão pode ser avaliada por volta dos 45 anos, conforme orientação médica.

A maternidade também se tornou um tema sensível, já que existe 50% de chance de transmissão da mutação genética aos filhos. Alternativas como congelamento de óvulos e diagnóstico genético pré-implantacional estão disponíveis, mas envolvem custos e questões éticas.

Histórias como a de Jéssica ganharam maior visibilidade após relatos públicos de outras mulheres com mutações genéticas semelhantes. Para especialistas, a genética não determina o destino, mas antecipa escolhas. No caso dela, a decisão foi tomada com o objetivo de preservar a saúde e ampliar as possibilidades de futuro, mesmo diante de dúvidas e desafios que ainda seguem em construção. Com informações: g1




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