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Hoje é Sábado, 10 de Janeiro de 2026.
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado provisoriamente pelos países europeus nesta sexta-feira (9), pode trazer mudanças significativas para o mercado brasileiro de alimentos importados, especialmente nos setores de vinhos e chocolates. Especialistas avaliam que o tratado tende a baratear os vinhos europeus e ampliar a variedade de produtos disponíveis no país, embora os efeitos não sejam imediatos.
Apesar da aprovação provisória, o acordo ainda não entrou em vigor. A formalização depende do envio das confirmações por escrito pelos países da União Europeia até o fim do prazo estipulado. Somente após essa etapa o tratado poderá ser oficialmente assinado.
Atualmente, vinhos importados da Europa pagam uma tarifa de 27% para entrar no Brasil. Caso o acordo seja efetivado, essa taxa será reduzida gradualmente até chegar a zero em um período que varia entre oito e doze anos, dependendo do tipo de produto. Já os chocolates, que hoje são taxados em 20%, terão a tarifa eliminada em prazos de dez a quinze anos.
Segundo especialistas, a redução do imposto de importação deve estimular a entrada de vinhos europeus de menor preço no mercado brasileiro. Hoje, devido à carga tributária elevada, importadores priorizam rótulos mais caros, pois a tarifa acaba nivelando os preços finais. Com a diminuição gradual dos impostos, empresas tendem a diversificar as compras e apostar em vinhos de qualidade média, mais acessíveis ao consumidor.
A expectativa é que, ao longo do tempo, o consumidor brasileiro tenha acesso a uma oferta maior de vinhos europeus, semelhante ao que já ocorre com rótulos do Chile e da Argentina, países que hoje dominam o segmento de importados mais baratos no Brasil. No entanto, especialistas ressaltam que a queda de preços será progressiva e dependerá da implementação completa do acordo.
No caso dos chocolates, o impacto será diferente. O Brasil já possui uma indústria forte e diversificada, com marcas nacionais e internacionais atendendo diferentes faixas de preço. Assim, a redução das tarifas deve beneficiar principalmente os importadores e marcas premium europeias, que poderão ampliar sua presença no país ou retomar operações interrompidas no passado.
A avaliação é que a chegada de novos chocolates de alto padrão ampliará as opções disponíveis ao consumidor, mas não resultará em preços populares. O custo desses produtos está ligado ao posicionamento de mercado e não apenas à carga tributária. Dessa forma, o principal benefício será o aumento da variedade e do acesso a marcas internacionais de luxo, sobretudo para consumidores de maior poder aquisitivo.
Além disso, defensores do acordo destacam que a abertura gradual do mercado dá tempo para que produtores nacionais se adaptem ao aumento da concorrência. No caso do vinho brasileiro, concentrado principalmente no Rio Grande do Sul, a expectativa é que o setor se fortaleça com o crescimento do consumo, maior circulação de insumos e expansão de atividades ligadas à cadeia produtiva. Com informações: g1
