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Hoje é Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026.
Agricultores franceses entraram em Paris com tratores nesta quinta-feira, 8 de janeiro, para protestar contra a iminente aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A mobilização, convocada por diferentes sindicatos rurais, ocorreu apesar das advertências do governo francês, que classificou a ação como ilegal.
Os manifestantes romperam bloqueios policiais e circularam por vias simbólicas da capital, como a avenida Champs-Élysées, além de bloquearem o entorno do Arco do Triunfo. Dezenas de tratores também obstruíram rodovias de acesso à cidade antes do horário de pico da manhã, incluindo a A13, que liga Paris aos subúrbios do oeste e à Normandia. Segundo o ministro dos Transportes, Philippe Tabarot, os bloqueios provocaram cerca de 150 quilômetros de congestionamentos.

Tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo enquanto agricultores franceses protestam em Paris, França, em 8 de janeiro de 2026. (Foto:REUTERS/Sarah Meyssonnier)
O protesto ocorre em um momento de forte pressão política sobre o presidente Emmanuel Macron, um dia antes da votação do acordo pelos Estados-membros da União Europeia. Sem maioria no Parlamento, o governo francês enfrenta risco de instabilidade política caso a posição do país seja mal recebida por setores estratégicos, como o agrícola. Historicamente, a França é uma das principais opositoras do acordo, e mesmo após concessões recentes, a posição final de Macron segue indefinida.
Os agricultores afirmam viver um sentimento de abandono e acusam o acordo de expô-los à concorrência desleal de produtos agrícolas do Mercosul, cujos padrões de produção consideram menos rigorosos. Eles temem uma entrada massiva de carne, arroz, mel e soja da América do Sul, o que poderia comprometer a viabilidade econômica das pequenas e médias propriedades europeias.
Além da oposição ao acordo comercial, os manifestantes também criticam a política do governo francês para conter a dermatose nodular contagiosa, doença bovina altamente transmissível. A estratégia oficial prevê o abate total dos rebanhos em caso de detecção da doença, medida considerada excessiva pelos produtores, que defendem a adoção de um programa nacional de vacinação.
A polícia evitou confrontos diretos com os manifestantes. Segundo o ministro dos Transportes, a orientação foi manter o diálogo e preservar a ordem pública. Ainda assim, o Ministério do Interior informou que cerca de 100 tratores conseguiram entrar em Paris, enquanto outros foram bloqueados nos arredores da capital e encaminhados para depósitos.
O acordo entre União Europeia e Mercosul, negociado desde 1999 com Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, poderá ser adotado formalmente pelo Conselho da UE nesta sexta-feira. Caso isso ocorra, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o tratado nos próximos dias. O acordo criaria a maior zona de livre comércio do mundo, mas enfrenta resistência significativa do setor agrícola europeu.
Para tentar conquistar apoio, a Comissão Europeia propôs antecipar 45 bilhões de euros em financiamento para agricultores no próximo orçamento de sete anos do bloco e reduzir tarifas de importação sobre alguns fertilizantes. O acordo é apoiado por países como Alemanha e Espanha, e a possível adesão da Itália pode garantir a maioria necessária para a aprovação, mesmo sem o apoio da França.
Enquanto isso, protestos semelhantes se espalham por outras regiões do país. Agricultores bloqueiam estradas e depósitos de combustível no sudoeste e no leste da França, reforçando a pressão sobre o governo em um momento decisivo para o futuro do acordo comercial. Com informações: IstoÉDinheiro
