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Tumores com mais de 100 anos podem ajudar a explicar aumento do câncer de intestino entre jovens

Cientistas analisam amostras históricas de câncer colorretal para investigar por que a doença cresce em pessoas com menos de 50 anos em todo o mundo.
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Amostras históricas de câncer colorretal armazenadas no Hospital St. Mark’s, no Reino Unido, estão sendo analisadas para investigar o aumento da doença entre jovens (Foto: BBC). Por: Editorial | 07/01/2026 09:21

Amostras de câncer colorretal preservadas há até um século estão sendo analisadas por cientistas na tentativa de explicar o aumento expressivo da doença entre pessoas mais jovens. Embora a maioria dos diagnósticos ainda ocorra em adultos mais velhos, o crescimento dos casos em pacientes com menos de 50 anos tem sido observado globalmente e segue sem uma explicação definitiva.

No Reino Unido, por exemplo, as taxas de câncer colorretal aumentaram 75% entre pessoas com menos de 24 anos desde o início da década de 1990. Entre adultos de 25 a 49 anos, o crescimento foi de 51% no mesmo período. Apesar desses números, a causa do fenômeno ainda é considerada um mistério pela comunidade científica.

Uma das principais esperanças para esclarecer essa tendência está nos arquivos do Hospital St. Mark’s, Hospital Nacional de Doenças Intestinais, em Londres. No subsolo da instituição, são armazenadas dezenas de milhares de amostras de câncer de intestino, preservadas em parafina, incluindo materiais coletados ao longo de mais de cem anos. Cada amostra corresponde a um caso tratado no hospital.

Esses tumores históricos estão sendo submetidos a análises moleculares avançadas, que permitem identificar alterações genéticas específicas associadas às causas do câncer. Diferentes fatores deixam “assinaturas” distintas no DNA das células cancerosas, e o acompanhamento dessas marcas ao longo das décadas pode revelar o que mudou com o passar do tempo.

O gastroenterologista Kevin Monahan, consultor do Hospital St. Mark’s, explica que o acervo representa um recurso único para investigar o câncer colorretal em jovens. Segundo ele, compreender as causas é essencial para desenvolver estratégias eficazes de prevenção, já que a doença se tornou um problema crescente em faixas etárias mais baixas.

Entre as hipóteses levantadas pelos pesquisadores estão fatores como obesidade, consumo de alimentos ultraprocessados, uso frequente de antibióticos, alterações no microbioma intestinal, poluição do ar e até a presença de microplásticos. Nenhuma dessas teorias, no entanto, foi comprovada de forma conclusiva até o momento.

O professor Trevor Graham, do Instituto de Pesquisa do Câncer do Reino Unido, destaca que uma das principais suspeitas envolve um tipo específico da bactéria Escherichia coli que hoje vive no intestino de jovens, mas que não estaria presente no passado. Acredita-se que essas bactérias liberem toxinas capazes de danificar o DNA do tecido intestinal, favorecendo o desenvolvimento do câncer.

De acordo com Graham, se esses microrganismos estiverem por trás do aumento da doença, as assinaturas genéticas deixadas por eles deveriam ser raras nas amostras mais antigas e se tornar mais frequentes ao longo do tempo. Esse padrão poderá ser identificado com a análise comparativa dos tumores históricos e atuais. Para o pesquisador, o arquivo do hospital é um verdadeiro tesouro científico, capaz de revelar respostas fundamentais sobre a origem do problema.

A reportagem também apresenta o caso de Holly, uma jovem atriz que recebeu o diagnóstico de câncer de intestino aos 23 anos. Inicialmente, seus sintomas foram confundidos com síndrome do intestino irritável, até que o agravamento do quadro a levou ao pronto-socorro. Ela foi diagnosticada com câncer colorretal avançado e passou por quimioterapia intensa.

Hoje, aos 27 anos, Holly está livre da doença há mais de três anos, mas vive com uma ostomia e precisa de acompanhamento constante. Apesar de planejar o casamento, ela relata o impacto emocional de ter enfrentado um câncer tão jovem e afirma que ainda lida com sentimentos de injustiça e questionamentos sobre o diagnóstico precoce.

No Brasil, o câncer de intestino é o terceiro que mais mata e o segundo mais frequente do aparelho digestivo, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), com estimativa de mais de 40 mil novos casos por ano. A doença afeta homens e mulheres, geralmente a partir dos 45 anos, sendo mais comum entre 60 e 70 anos.

Entre os principais fatores de risco estão hábitos alimentares inadequados, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, histórico familiar da doença e condições inflamatórias intestinais. Especialistas ressaltam a importância do rastreamento por meio da colonoscopia, que pode detectar e remover pólipos antes que evoluam para câncer, além de atenção a sintomas como alterações no hábito intestinal, sangramento, dores abdominais, fadiga e perda de peso sem causa aparente. Com informações: g1




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