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Após queda, médico aponta apatia e tontura em Bolsonaro, e Moraes nega transferência

Defesa afirma que quadro de saúde já exigia acompanhamento médico permanente.
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Em entrevista, o cardiologista Brasil Caiado, médico que acompanha o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). (Foto: CNN) Por: Editorial | 06/01/2026 22:11

A situação de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a gerar preocupação e reacendeu o debate sobre a necessidade de acompanhamento médico contínuo enquanto ele permanece sob custódia. Um incidente ocorrido durante a madrugada desta terça-feira (6) mobilizou a defesa, médicos e o Judiciário, diante de sinais clínicos considerados preocupantes após uma queda.

Jair Bolsonaro sofreu um acidente na madrugada desta terça-feira (6), após cair e bater a cabeça em um móvel. A informação foi divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, por meio de publicação nas redes sociais.

Jair Bolsonaro (PL) na saída de hospital em Brasília  • 14/9/2025 REUTERS/Mateus Bonomi

Após a queda, ocorrida dentro de sua cela na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, Bolsonaro apresentou sinais clínicos que acenderam um novo alerta sobre seu estado de saúde. Segundo o cardiologista Brasil Caiado, que acompanha o ex-presidente, ele bateu a cabeça e passou a apresentar apatia, tontura e leve queda da pálpebra esquerda. O episódio ocorre em meio a um histórico recente de procedimentos médicos, uso contínuo de medicamentos e recomendações de acompanhamento médico permanente, fatores que, segundo a defesa, reforçam a gravidade do quadro.

Médico solicita transferência de Bolsonaro

Em declaração à imprensa, o médico detalhou a avaliação clínica realizada logo após o episódio. “Fiz uma avaliação agora. Ele estava apático, com leve queda da pálpebra esquerda, pressão normalizada e sinais de tontura, sem dor. O próximo passo é aguardar a liberação para a realização de exames e nos deslocarmos ao hospital, que está de prontidão”, afirmou Caiado.

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Alexandre de Moraes negou transferência imediata para hospital

Apesar do quadro clínico descrito pelo médico, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou a transferência imediata do ex-presidente para uma unidade hospitalar. Na decisão, Moraes entendeu que não havia necessidade de remoção urgente naquele momento e determinou que a Polícia Federal encaminhasse ao STF um laudo médico elaborado por seus profissionais.

O documento foi enviado ainda nesta terça-feira. Segundo a CNN Brasil, o laudo aponta que Bolsonaro pode ter caído da cama durante a noite. O relatório descreve uma lesão superficial no rosto, presença de sangue e detalha o contexto clínico do ex-presidente.

“Paciente em pós-operatório recente de herniorrafia inguinal bilateral e bloqueio anestésico bilateral do nervo frênico. Em uso recente de CPAP para tratamento de apneia do sono. Considerando a recente internação, o uso de medicamentos com ação no sistema nervoso central (Gabapentina, Escitalopram e Clorpromazina), o uso recente de anticoagulante e demais comorbidades, a equipe médica assistente foi comunicada”, diz trecho do laudo.

Agora, caberá ao ministro Alexandre de Moraes decidir sobre a autorização ou não para a realização de exames médicos em ambiente hospitalar. A defesa sustenta que o episódio reforça a necessidade de acompanhamento médico contínuo, diante dos riscos associados ao histórico clínico e às condições atuais de saúde do ex-presidente.

Pós-operatório e histórico médico antes do acidente

Segundo a defesa, o estado de saúde de Jair Bolsonaro já exigia acompanhamento médico permanente, com monitoramento 24 horas por dia, em razão do período pós-operatório e dos procedimentos realizados nos últimos anos. A avaliação indicava que ele não reunia condições clínicas ideais para permanecer sob custódia sem vigilância médica contínua, situação que, segundo os advogados, se agravou após a queda, com impacto na cabeça e atraso no atendimento.

O episódio ocorre pouco depois de Alexandre de Moraes rejeitar novo pedido da defesa para a concessão de prisão domiciliar humanitária. No requerimento, os advogados argumentaram que Bolsonaro não reúne condições de permanecer em ambiente carcerário devido a um histórico marcado por múltiplas cirurgias abdominais, internações recorrentes, uso contínuo de medicamentos e necessidade de acompanhamento médico constante, especialmente no período pós-operatório.

Mesmo com laudos e manifestações médicas, Moraes decidiu manter a prisão do ex-presidente na sede da Polícia Federal. A defesa afirma que a estrutura do local não conta com vigilância médica permanente nem com ambiente hospitalar adequado para um paciente em recuperação cirúrgica, o que ampliaria os riscos à sua integridade física.

Antes do episódio da queda, o médico responsável pelo acompanhamento de Bolsonaro já havia defendido publicamente a necessidade de acompanhamento médico integral, 24 horas por dia, em razão do estado de saúde considerado delicado e do histórico cirúrgico acumulado.

Segundo a defesa, essa recomendação não foi considerada na decisão que manteve Bolsonaro sob custódia. Com o novo incidente, aliados e advogados avaliam que o episódio reacende o alerta sobre os riscos à saúde do ex-presidente enquanto permanece detido sem acompanhamento médico contínuo.




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