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Hoje é Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026.
Diferentemente de outras crises geopolíticas recentes, como a guerra em Gaza ou a invasão da Ucrânia pela Rússia, a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos teve impacto limitado sobre os mercados financeiros e os preços internacionais do petróleo. Até o momento, a reação foi considerada tímida por analistas e investidores.
Nesta segunda-feira, as ações de grandes petroleiras norte-americanas registraram alta, enquanto os preços do petróleo avançaram pouco mais de 1%. Especialistas apontam que a ausência de fortes oscilações está ligada às incertezas que ainda cercam o futuro político e econômico da Venezuela, além do papel relativamente pequeno do país na produção global da commodity.
Embora a Venezuela detenha as maiores reservas de petróleo do mundo, com mais de 300 bilhões de barris, sua produção atual representa cerca de 1% da produção global, ocupando apenas a 21ª posição no ranking internacional, segundo dados da Agência Internacional de Energia. Países como Estados Unidos, China, Índia e Rússia lideram a produção mundial. Para ampliar significativamente sua oferta, a Venezuela precisaria de investimentos expressivos e de uma profunda modernização de sua infraestrutura petrolífera.
O contexto internacional também contribui para explicar a reação moderada dos mercados. Em 2025, os preços do petróleo já vinham pressionados, com o barril do tipo WTI acumulando queda de quase 20% no ano e o Brent recuando mais de 14%. Esse movimento reflete, sobretudo, as decisões da Opep+, grupo que reúne os principais países produtores e que ainda exerce forte influência sobre a oferta global.
Diante da crise venezuelana, a Opep+ realizou uma reunião emergencial no domingo anterior e decidiu manter inalterados os níveis de produção. A avaliação predominante é de que, no curto prazo, a situação política da Venezuela não altera de forma relevante o equilíbrio global entre oferta e demanda.
Investidores, no entanto, observam com atenção os próximos passos do governo de Donald Trump. A expectativa é de que a ação dos Estados Unidos facilite o acesso de empresas americanas às reservas venezuelanas. Trump sinalizou que pretende se reunir com executivos do setor para discutir estratégias de aumento da produção no país sul-americano. Ainda assim, qualquer projeção depende da estabilidade interna da Venezuela e da definição de um novo arranjo político.
Nas últimas décadas, a produção venezuelana despencou em razão da má gestão, da falta de investimentos e da nacionalização das operações petrolíferas nos anos 2000. O cenário futuro permanece incerto, com analistas alertando para riscos de instabilidade interna e disputas políticas que podem limitar avanços rápidos no setor.
No mercado acionário, empresas como ExxonMobil, Chevron e ConocoPhillips aparecem entre as potenciais beneficiadas por uma eventual abertura do setor petrolífero venezuelano. A Chevron foi a única grande companhia americana que manteve operações no país após a nacionalização, enquanto ExxonMobil e ConocoPhillips deixaram o mercado anos atrás. Além delas, empresas de tecnologia e serviços para a indústria do petróleo, como Halliburton, SLB e Weatherford, também podem se beneficiar da necessidade de modernização da infraestrutura local.
No Brasil, o reflexo inicial foi negativo para as ações do setor de petróleo. Papéis da Petrobras e de outras companhias registraram queda, ainda que moderada, influenciados pela perspectiva de preços do petróleo mais baixos por um período prolongado. Analistas avaliam que o impacto para o país tende a ser mais geopolítico e relacionado aos preços internacionais do que ao volume de exportações, que continua condicionado às decisões da Opep+.
No médio e longo prazo, especialistas consideram que empresas brasileiras de médio porte podem encontrar oportunidades na Venezuela, caso o novo ambiente político permita a abertura do mercado. No entanto, o futuro do país segue indefinido, e não está claro até que ponto o novo governo venezuelano cooperará com os Estados Unidos na exploração de petróleo. Com informações: IstoÉDinheiro
