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Anvisa inicia processo de aprovação de medicamento brasileiro que pode recuperar movimentos após lesão na medula

Substância desenvolvida por pesquisadora da UFRJ entra na primeira fase de testes clínicos e reacende a esperança de pacientes com lesão medular.
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Anvisa autoriza início de testes clínicos de medicamento brasileiro desenvolvido para tratar lesões na medula espinhal (Foto: Reprodução/TV Globo) Por: Editorial | 06/01/2026 07:20

Pacientes que sofreram lesão na medula espinhal e perderam movimentos do corpo receberam, nesta segunda-feira, um novo motivo de esperança. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início dos testes clínicos de um medicamento cem por cento brasileiro, desenvolvido a partir de décadas de pesquisa científica conduzida em uma universidade pública.

O estudo teve início em 1997 e, há cerca de três anos, a equipe liderada pela pesquisadora Tatiana Sampaio, professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, aguardava a liberação da Anvisa para avançar para a etapa de testes em humanos. A autorização representa um marco para o projeto e para a ciência nacional, resultado do trabalho conjunto de pesquisadores, profissionais da saúde, hospitais, fisioterapeutas e de uma empresa parceira.

O anúncio foi feito durante uma coletiva do Ministério da Saúde. Para o governo federal, a iniciativa tem importância estratégica por se tratar de um produto desenvolvido integralmente no Brasil, dentro de uma universidade pública, com potencial de impacto direto na vida de milhares de pessoas que convivem com sequelas de lesões medulares.

Em setembro de 2025, o Jornal Nacional já havia mostrado os avanços do trabalho de Tatiana Sampaio, que conseguiu produzir em laboratório a polilaminina, uma rede de proteínas que existe naturalmente no organismo humano, mas que vai se tornando escassa ao longo da vida. Essa substância tem papel fundamental na conexão entre os neurônios e na comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.

Em estudos anteriores, as proteínas foram extraídas de placentas e utilizadas de forma experimental em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos. Os resultados chamaram a atenção da comunidade científica: a polilaminina foi capaz de recriar conexões neurais e devolver movimentos a seis desses pacientes. Um dos casos mais emblemáticos foi o de um paciente que estava paralisado do ombro para baixo e voltou a andar sem auxílio.

Com a autorização da Anvisa, a polilaminina deixa o ambiente exclusivamente acadêmico e passa a integrar oficialmente a primeira fase do processo de aprovação de um novo medicamento. Nesta etapa inicial, o foco principal será avaliar a segurança da substância, observando se o uso provoca ou não reações adversas nos pacientes.

Cinco pessoas com lesão completa da medula espinhal participarão dessa fase inicial do estudo. Elas receberão uma única injeção de polilaminina até 48 horas após o trauma e serão acompanhadas por um período de seis meses. Caso não sejam observadas reações adversas graves, o estudo avançará para as próximas fases, que terão como objetivo comprovar a eficácia do tratamento na recuperação de movimentos.

Antes de se tornar um medicamento disponível para a população, a substância ainda precisará passar por três etapas de testes clínicos, e não há previsão para a conclusão de todo o processo. Apesar disso, a pesquisadora avalia que o avanço representa um passo decisivo rumo a um tratamento efetivo, inclusive com a perspectiva futura de beneficiar pacientes com lesões mais antigas, chamadas de lesões crônicas. Segundo ela, a possibilidade de acelerar esse caminho dependerá diretamente dos resultados obtidos nas próximas fases do estudo. Com informações: Jornal Nacional




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