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Hoje é Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026.
Uma jornalista denunciou ter sido vítima de montagens feitas com o uso de inteligência artificial na rede social X, antigo Twitter, que a fizeram aparecer nua e em poses sensuais sem qualquer consentimento. Ao relatar o impacto emocional do caso, ela afirmou que chegou a cogitar abandonar as redes sociais. “Quis sumir e apagar todas as minhas fotos e redes sociais”, disse em entrevista ao g1.
Segundo o relato, após conversar com familiares e com sua advogada, a vítima registrou ocorrência na 10ª Delegacia de Polícia, em Botafogo, pelo crime de registro não autorizado de intimidade sexual. Ela informou que o boletim foi feito de forma on-line, já que está no interior do estado do Rio de Janeiro, mas pretende comparecer pessoalmente à delegacia para incluir outros perfis que continuam solicitando montagens com suas imagens.
As manipulações teriam sido geradas após diversos perfis solicitarem ao Grok, inteligência artificial integrada à plataforma X, a criação de imagens da jornalista usando trajes sensuais, lingerie e até mesmo completamente nua. De acordo com a vítima, os pedidos partiram, em sua maioria, de contas anônimas ou falsas, que costumam publicar comentários discriminatórios contra mulheres.
Para ela, a prática tem o objetivo de intimidar e silenciar mulheres nas redes sociais. “Eles querem que nós, mulheres, não tenhamos coragem de ousar existir como seres humanos. Meu sentimento é de indignação, mas também de luta, de correr atrás dos meus direitos e de conseguir justiça”, afirmou.
No boletim de ocorrência, a jornalista relatou que a foto original foi tirada no dia 31 de dezembro, em um momento pessoal, e publicada de forma comum. Ao acordar no dia seguinte, percebeu que diversos usuários estavam pedindo à inteligência artificial que gerasse versões sexualizadas da imagem. Segundo ela, o uso indevido feriu sua reputação e utilizou sua imagem de forma depreciativa, sem autorização.
A vítima informou ainda que denunciou o caso à polícia no dia 2 de janeiro e publicou nas redes sociais que pretende identificar os responsáveis. Posteriormente, ela divulgou uma mensagem da própria plataforma X informando que uma das contas responsáveis pelos pedidos foi removida por violar as regras da rede social. O g1 informou que tenta contato com a plataforma para obter posicionamento.
Dados do Instituto de Segurança Pública indicam que mulheres representam a maioria das vítimas de registro não autorizado de intimidade sexual no Rio de Janeiro, e que esse tipo de crime teve crescimento expressivo nos últimos anos, impulsionado pelo uso de tecnologias digitais. Com informações: g1
