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Kiwi, psyllium e pão de centeio entram em diretriz oficial contra prisão de ventre

Guia da British Dietetic Association analisa 75 ensaios clínicos e substitui recomendações genéricas sobre fibras por alimentos e suplementos com eficácia comprovada no tratamento da constipação crônica.
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Psyllium, fibra solúvel extraída da planta Plantago ovata, foi o suplemento com resultados mais consistentes no tratamento da constipação crônica segundo a nova diretriz da British Dietetic Association (Foto: Oliwier Brzezinski/Divulgação). Por: Editorial | 05/01/2026 08:00

Alimentos como kiwi e pão de centeio, além de suplementos de fibra como o psyllium e o consumo de águas minerais ricas em magnésio, passam a integrar oficialmente diretrizes clínicas para o tratamento da constipação crônica em adultos. As recomendações constam em um novo guia elaborado por nutricionistas da British Dietetic Association (BDA) e publicado em revista científica especializada.

O documento é resultado da análise de 75 ensaios clínicos randomizados e marca uma mudança de abordagem nas orientações nutricionais. Em vez de recomendações genéricas, como “aumentar o consumo de fibras”, o guia detalha quais alimentos, suplementos e bebidas demonstraram benefícios consistentes em estudos clínicos.

Para a elaboração das diretrizes, os pesquisadores reuniram evidências provenientes de quatro grandes revisões sistemáticas com meta-análises. A partir desses dados, foram construídas 59 recomendações dietéticas práticas voltadas ao manejo da constipação crônica. Segundo os autores, a proposta foi oferecer orientações mais claras e aplicáveis à prática clínica, reconhecendo que diferentes tipos de fibras e alimentos produzem efeitos distintos sobre o funcionamento intestinal.

Entre os suplementos avaliados, o psyllium se destacou como a fibra com resultados mais consistentes. Extraído da casca da semente da planta Plantago ovata, o psyllium apresentou melhora significativa na frequência das evacuações, na consistência das fezes e na redução do esforço para evacuar. Os autores ressaltam que esses efeitos foram observados com doses semelhantes às utilizadas nos ensaios clínicos e com uso regular do suplemento. Outras fibras, como a inulina, mostraram benefícios mais limitados e maior incidência de efeitos adversos, como gases e desconforto abdominal.

No grupo dos alimentos, o kiwi apresentou desempenho relevante. O consumo regular, geralmente de duas unidades por dia por um período mínimo de quatro semanas, esteve associado à melhora da frequência intestinal e da textura das fezes. Em alguns estudos, os efeitos do kiwi foram comparáveis aos observados com o uso do psyllium.

O pão de centeio também demonstrou efeito positivo no trânsito intestinal, devido ao seu conteúdo de fibras solúveis e fermentáveis, que aumentam o volume das fezes e estimulam a motilidade intestinal. No entanto, os pesquisadores observam que os estudos utilizaram quantidades elevadas do alimento, o que pode ser pouco viável na rotina alimentar da maioria das pessoas.

Entre as bebidas, o guia destaca o consumo de águas minerais com alto teor de magnésio e sulfato. Essas águas apresentam efeito osmótico, ajudando a atrair água para o interior do intestino e facilitando a evacuação, especialmente em casos de constipação crônica.

Alguns alimentos tradicionalmente associados ao alívio do intestino preso perderam protagonismo nas novas diretrizes. Frutas como ameixa e maçã, embora sejam nutritivas e ricas em fibras, aparecem com ressalvas. De acordo com os autores, não há evidência científica robusta de que o consumo isolado e regular dessas frutas seja eficaz no tratamento da constipação crônica.

A diretriz foi desenvolvida com base em critérios metodológicos rigorosos. Após as revisões sistemáticas, as recomendações foram formuladas utilizando o método GRADE, que avalia a qualidade das evidências, e validadas por meio de um processo de consenso Delphi envolvendo especialistas de diferentes áreas. Apenas intervenções respaldadas por pelo menos dois ensaios clínicos foram incluídas.

Apesar do rigor científico, a maioria das recomendações foi classificada como de baixo ou muito baixo nível de evidência, reflexo da escassez de estudos amplos e homogêneos sobre o tema. Por essa razão, os autores explicam que não foi possível recomendar padrões alimentares completos, como dietas inteiras, limitando-se à indicação de alimentos, suplementos e bebidas específicos com algum grau de comprovação científica. Com informações: g1




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